Mesmo a começar com um tema sensível a todos, assumo ter cuidado com cada coisa dita. O mesmo cuidado que tenho com cada pessoa ao meu redor. Assim, falo das relações que estão na minha vida e claro, a partir desse momento, vamos falar de amor. Muitos já escreveram sobre e isso é um tema comum já que atinge a grande maioria com esse sentimento. Ele praticamente rege as nossas ações, sendo visto na nossa família e no nosso trabalho. Até muitas pessoas escolhem o que vão seguir na vida através do amor e da paixão por determinada carreira.

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Klimt – O Beijo

Não vou entrar nesse quesito agora pois quero falar de amor nas relações. Em todo caso, contar uma história que permeia o imaginário amoroso da história da arte. A história de amor que vou complementar não é uma triste ou complexa mas curiosa. Picasso foi um dos artistas com histórias nesse sentido mas, vou me ater a uma que possa mexer com a nossa sexta-feira. Claro que para os aficionados em casos amorosos podem me enumerar alguns como o de Frida e Rivera que prometo deixar para outro texto.

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Hoje vou me ater a vida de Salvador Dalí e Elena Gala, sua grande musa. Musa por que dizem ser Gala uma mulher muito envolvente tanto que foi inspiração para muitos artistas. Sendo vista como uma mulher com beleza sem igual, Gala foi casada com Paul Éluard durante alguns anos e viveram grandes aventuras amorosas antes de conhecer Dalí.

O relacionamento deles era algo único para ela. Conta-se que quando estava com Éluard começou uma ”amizade” com Max Ernst que acabou transformando seu relacionamento à dois em três. A história durou pouco mais de dois anos e foi quebrada com a chegada de Dalí.

Na época o surrealista era muito jovem e se arriscava pouco com encontros a merchands e compradores de arte. O curioso é que no dia que foi conhecer Gala ele percebeu nela a mulher que sempre pintou. A similaridade de Gala com a figura feminina que representava nas telas assustou o artista e como resposta tinha ataques de riso e chegava a rolar no chão.

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Gala por Dalí

Dalí tinha ficado tão empolgado com a moça que no dia do encontro apareceu vestindo roupas extremamente rasgadas e todo coberto de fezes. Tudo isso para chamar a atenção da moça. Eles tentaram alguns encontros até Dalí se acalmar das gargalhadas até que quando se acalmou emudeceu. Não falou mais. Só voltou a falar depois de um tempo. No momento que disse a primeira palavra, Gala disse que ficaria com ele para sempre e que nunca mais o abandonaria.

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Ao vermos essa bonita história de amor devemos lembrar da ideia de musa, figura que inspira ou o leitmotif do artista. Dalí utilizou muito bem esse amor condutor em seus trabalhos e seguiu com Gala até o fim da vida. Ao pensarmos, se não fosse pelo encontro deles talvez a obra de Dalí nunca tivesse ganhado a forma que conhecemos.

Nesse sentido, vamos agradecer ao amor pois sem ele a arte não conseguiria o seu estímulo tão sublime. Como diria Barthes: “Que é que eu penso do amor? Em suma, não penso nada. Bem que eu gostaria de saber o que é, mas estando do lado de dentro, eu o vejo em existência, não em essência. Mesmo que eu discorresse sobre o amor durante um ano, só poderia esperar pegar o conceito pelo rabo, por flashes, formulas, surpresas de expressão, dispersos pelo grande escoamento do imaginário. Estou no mau lugar do amor, que é seu lugar iluminado”.

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Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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