Foto: Jose Luis Cernadas Iglesias

Hoje vou falar de coisa chata. Planilhas, Fluxos, Matriz. Mas também pode ser legal… Depois que saí da escola descobri que as coisas que eu não tinha a menor paciência para aprender, viravam coisas interessantes quando eu via a aplicação (menos binômios de newton! Eca!). Fato é: fórmulas, o conceito de matriz, conjuntos, eixos x,y,z… ajudam a gente a criar conexões necessárias para entender e nos colocar no mundo. Para a gestão, nada melhor do que isso. É impossível analisar um ponto olhando somente para o ponto. Aos saudosos fans de Arquivo X, sim, a verdade esta lá fora e algumas das ferramentas clássicas da gestão contribuem para esse olhar.

Ok, até aqui vim falando de revolucionar a gestão, quebrar o jeito tradicional de organizar o trabalho, startups, canvas e blá blá blá… Que história é essa de ferramenta clássica?! Simples: a inovação pode ser tradicional e a tradição pode ser inovadora. Tudo depende de você de como você faz. Destaque para o “como” nessa frase, pois o tradicional ou inovador não está exclusivamente ligado ao “o que” você faz. Já vi processos de startups altamente tradicionais e empresas tradicionais inovando bastante, da maneira que pode. Vale lembrar que inovação exige criatividade e criatividade está diretamente ligada a limitações.

Bom, nessa história de fazer projeto cultural ou gerir muitos projetos culturais é fundamental saber quem faz o que. Todo assunto precisa ter um dono, mas não é só o dono que lida com o assunto. Tem o chefe do dono, o par do dono, o cliente… Enfim normalmente são muitas pessoas que precisam interagir da melhor maneira em muitos assuntos. Quem nunca ouviu a máxima: cachorro com muito dono morre de fome.

Uma ferramenta que ajuda muito no processo de estabelecimento de papéis e responsabilidades de uma equipe é a Matriz RACI. Quem é da adm., engenharias e afins conhece bem e não é nenhuma novidade. Eu que sou cria da cultura achei um máximo. Pega seu plano de ação, senta com a equipe e desenha o papel de cada um no projeto. Identifique e liste os assuntos mais estratégicos presentes no plano e no cronograma e escreve quem é Responsável (dono), Aprovador, Consultado e Informado em cada assunto.

Como exemplo, pensemos na definição do seu fim de semana quando você morava com seus pais:

Medir

Quando se sabe o que se espera de cada um e qual seu papel no todo, organizamos melhor o trabalho, evitamos emails necessários para destinatários desnecessário naquele tópico e gerimos a expectativa das entregas de cada um. Com isso, a comunicação e o fluxo de informações melhora e conseguimos ser mais assertivos. Existem várias ferramentas e vale sim dar uma estudada na administração clássica, sem deixar nossa condição antropofágica de lado, é claro!

A mensagem aqui é uma só: não existe fórmula. Dizem também que “Plano de negócios é uma coisa ultrapassada!” Depende de qual é o seu negócio e como você faz o seu plano. Mas um plano você precisa ter, nem que seja para jogá-lo fora no momento seguinte. O plano estabelece um ponto de chegada, que é um ótimo ponto de partida. Jogar um plano fora e refaze-lo é o exercício que te ajuda a descobrir o que você quer fazer num processo criativo, numa decisão importante ou na escolha de um caminho a seguir. Quando você vai eliminando as coisas que não quer, vão sobrando mais e mais as coisas que se aproximam do que você quer.

Claro que numa gestão ou na criação de um projeto nem tudo o que você quer é o que funciona, por isso gosto do conceito Leandro Startup, cuja mensagem base é: pense, teste, escute, melhore, re-pense. Esse ciclo ajuda a ver, dentre as coisas que você quer, quais funcionam e quais não. As vezes nenhuma funciona, mas tudo bem. No final do processo você não será o mesmo.

Por isso que digo, não perca muito tempo com formatos ou escolhendo uma ferramenta de trabalho e gaste muito tempo trabalhando a sua questão. E quando o bicho esta pegando no projeto e você não tem tempo de planejar, por que foi chamado para apagar incêndio aos 45 min do segundo tempo (realidade nossa da produção de cada dia), o conhecimento de algumas ferramentas de gestão te poupam um trabalho enorme!

Nesse link tem um monte delas. Arregaça as mangas e mãos a obra!

Inté!

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

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