Credito: Ricky Romero

O processo de escolher um assunto para trazer aqui tem sido uma das coisas mais interessantes, pois exige que eu abra os olhos para o que esta acontecendo no mundo, longe, perto ou dentro de mim. Algo como o que falei em um outro post sobre a lente de percepção. Do momento que eu aceitei fazer a coluna, o que eu leio, o que eu vejo, o que eu acabo sabendo, inicia um processo infinito de conexões na cabeça com o que mais eu tiver acesso, dentro e fora dela. Parte do meu processo criativo de transmitir e fazer referências.

Pois bem, outro dia conheci uma pessoa num momento complicado da vida. Ela (nem ninguém próximo, que eu saiba) não estava num estágio terminal de câncer ou algo similar, mas em um curto período de tempo ela foi demitida e o namorado de longa data terminou com ela. Não sei as causas de ambos os causos, mas reconheci uma certa responsabilidade que ela assumia por um ou por ambos, então imaginei que a situação pode ter sido causada por uma ou mais ações dela.

Me deu vontade de explorar um pouco o erro e sobre isso trago três histórias de três pessoas, Drew, Anna e Jobs e um texto para seguir pensando sobre. Para começo de conversa, o erro é uma oportunidade única de aprendizado. O verdadeiro erro é perder essa oportunidade, o que vai lhe gerar a condição de seguir errando na mesma direção. Assim tem sido a postura de Anna Vital sobre a vida, errar e seguir tentando, mas com a memória dos erros e os aprendizados gerados, marcados na sua timeline. Dessa forma ela criou um infográfico que conta sua breve história a partir das marcas que suas experiências deixaram.

credito: Ana Vital

Tentando alcançar um objetivo, cada vez que erramos nos aproximamos mais dele. Claro que no meio desse processo o objetivo pode até mudar, mas os aprendizados gerados no processo te levam para uma maturidade, um crescimento que apresenta a condição necessária para acertar mais.

Errar é um passo a mais para o acerto. Assim o fez Drew Houston, que teve em seus fracassos o motor para seguir em frente. Primeiro criou um jogo online de pôquer, que por erros de programação foi um fracasso. Depois foi um curso online para o vestibular gringo que também não vingou e assim foi até que uma ideia colou. Foi nas experimentações anteriores que, ao esquecer um pendrive em casa, ele teve a ideia de criar o que conhecemos por Dropbox. Hoje é uma empresa de 7 anos de existência, avaliada em 10 bilhões de dólares.

O impacto do erro na sua vida é, em muitas vezes, uma questão de perspectiva, é uma posição que você assume perante uma situação de fracasso. Assim aconteceu com Steve Jobs, quando em 1985 foi demitido da empresa que ele próprio criou. Após um período digerindo o que havia ocorrido, ao invés de encarar a demissão como um fim, ele fez um novo começo. A diferença é que dessa vez ele tinha cabeça mais madura, acumulada de experiências e aprendizados (e algum bom dinheiro também). Ele entra então no que chamou mais tarde de sua fase mais criativa, cujo o principal fruto foi a criação da Pixar, que dispensa apresentações.

O grande erro é ter medo de errar, pois não erra quem não se lança, quem não faz. Mas da para aprender sem errar? 90% das vezes não (adoro inventar uma estatística). O que da para fazer é aprender sem que o erro tenha sido seu, ou seja, o atalho é aprender com o erro dos outros.

– Ok, agora virou auto ajuda isso aqui… De volta ao facebook!

Calma… Assim é nos processo de produção e gestão cultural. Estive em equipes que desmantelaram e que se fortificaram perante a falha. O controle não está 100% em nossas mãos, fatores externos a nós existem e são uma fatia considerável, mas diria que sua ação é, pelo menos, mais de 50% do sucesso que um projeto ou equipe terá. É um mindset que vai ser diferencial e, na minha opinião, vencedor.

Incorporo aqui o que Eugenio Mussak trouxe sobre a virtude do erro:
Errou? Não faz mal, desde que você:
– Seja lúcido para admitir que errou;
– Seja humilde para assumir a responsabilidade;
– Seja esperto para consertar o resultado;
– Seja sábio para incorporar o aprendizado

E como faz a Anna: ˜Keep going”

Sigamos!

ps: qualquer erro na coluna é mero processo de aprendizado :op

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

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