Rodrigo Buas é carioca, tem 33 anos e atualmente mora em Paris com sua esposa e bailarina Luna Ornellas. Apesar da formação em computação, Rodrigo também é conhecido pelas suas belíssimas fotos na área da dança, com ensaios belíssimos em estúdio e a cobertura do Prix de Lausanne, a competição de dança mais importante do mundo. O TagCultural teve a oportunidade de entrevistar o fotógrafo por e-mail:

Sua formação acadêmica é na área da computação. Quando e como a fotografia na área de dança passou a fazer parte da sua vida?

Meus pais são fotógrafos e toda minha vida, desde pequeno, convivo com a foto. Um dos quartos da casa que morávamos até meus 11 anos de idade era um estúdio fotográfico cheio de câmeras, livros e revistas de fotografia. O ramo fotográfico dos meus pais era voltado para eventos sociais e empresariais, e durante o período da minha universidade, eu cheguei a trabalhar com eles. Um pouco mais tarde, conheci minha esposa, bailarina e coreógrafa clássica. Naturalmente meus momentos de lazer passaram a ser nos bastidores dos teatros do Rio. As coxias dos teatros sempre me fascinaram, com imagens e momentos incríveis, escondidos do grande publico. A escolha de carregar uma câmera e começar a clicar foi inevitável. A partir desse momento, o meu lado engenheiro e curioso começou a alimentar a minha fome de bem representar em imagem um espetáculo.

RBUAS20130518-0509
O Lago dos Cisnes pela Cia Brasileira de Ballet em maio de 2013. Foto: Rodrigo Buas

Como é a experiência de pegar uma arte em constante movimento e transformar em um instante único, congelado? Tem algo que lhe inspira para capturar esses movimentos?

No meu ponto de vista, fazer boas imagens de um espetáculo não é muito difícil, basta ter uma boa noção técnica de fotografia. O desafio maior é dirigir um olhar original para uma cena, num instante preciso, de um momento efêmero, que produza uma imagem representativa à obra em questão. Para responder a esse desafio, tento buscar as origens da concepção da obra e compreender os criadores e intérpretes envolvidos no processo.

Quais são os fotógrafos ou bailarinos que lhe servem de inspiração?

Edgar Degas, Lois Greenfield, Vadim Stein, Mark Olich, Gregory Batardon, Robert Mapplethorpe e Lou Blanc são minhas principais referências para dança e corpo, mas tenho também muitas outras referências em fotografia de domínios diferentes que me inspiram mesmo nos meus projetos ligados à dança.

RBUAS20140127-0439
Backstage do Prix de Lausanne 2014, no Théâtre Beaulieu, Lausanne, Suisse. Foto: Rodrigo Buas

Qual a diferença para o fotógrafo entre um ensaio fotográfico em estúdio e uma competição como o Prix de Lausanne? Qual das suas experiências você mais gostou de fotografar e por quê?

No estúdio eu controlo a luz, o tempo, o espaço, indico um movimento para ser realizado e em geral existe um conceito que foi previamente trabalhado. Enquanto que num espetáculo meu papel é de observador, sem interferir e quase sem nenhum controle sobre os fatos. Sem dúvidas as experiências no Prix de Lausanne estão entre minhas preferidas e ricas, pois equivale a vários espetáculos e ensaios simultâneos, adicionado a uma demanda de resultados diários para a imprensa mundial. Resumindo, muita pressão, muita correria e cansaço, mas muito aprendizado ao mesmo tempo.

Você saiu do Rio de Janeiro para morar em Paris. Qual a diferença entre as duas cidades para o seu trabalho na fotografia? Tem alguma diferença marcante entre as duas cidades, como, por exemplo, fatores que facilitam a execução do trabalho ou o perfil dos bailarinos?

A vida cultural aqui em Paris é muita ativa. Ir ao teatro, seja para qual for o tipo de espetáculo, faz parte do cotidiano e dos hábitos parisienses. Produção cultural frenética e constantemente consumida pelo público especializado, mas também consumida pelo grande público, rendem salas cheias quase todos os dias. Os teatros, que não são poucos em Paris,  são muito bem equipados e organizados. Além disso, eu diria que com os investimentos, incentivos culturais, o estatuto de intermitentes e o alto consumo cultural, são fatores que fomentam fortemente um mercado e junto a isso, diversas profissões. Para finalizar, por aqui, em vez de generalistas, vejo mais especialistas trabalhando em equipe com um nível de profissionalismo e respeito mais elevado.

RBUAS20130519-1112
O Lago dos Cisnes pela Cia Brasileira de Ballet em maio de 2013. Foto: Rodrigo Buas

Quais são seus projetos futuros?

Muito em breve lançarei meu site novo divulgando alguns projetos do ano passado. E dando continuação à esses projetos, trabalho hoje outros, grande parte em estúdio, que abordam a corporeidade dos intérpretes em dança, teatro e circo. Em janeiro parte da exposição que realizei aqui em Paris será re-exposta em Chaumont, uma cidade próxima à Paris. Fevereiro vem o Prix de Lausanne e logo em seguida começo a preparação das sessões fotográficas para uma outra exposição que participarei em setembro.

RBUAS20130324-0460
Fotos de divulgação do espetáculo Moto Sensível, da Cia Híbrida. Foto: Rodrigo Buas

 

Foto da capa: Backstage do Prix de Lausanne 2014, no Théâtre Beaulieu, Lausanne, Suisse. Por Rodrigo Buas

 

Quer receber mais conteúdo? Cadastre-se no nosso Clube de Cultura
Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

DÊ SUA OPINIÃO