Por que devemos ensinar nossas crianças a empreender.

Eu ando numa fase muito tia. Meus amigos mais próximos já começam a ter filhos, e eu – que adoro crianças – to sempre por perto, acompanhando o crescimento dos pequenos. Mas volta e meia me pego pensando qual é o mundo que estamos deixando pra essas novas gerações e – como todo adulto – às vezes me pergunto o que esses guris vão ser quando crescer. Uma coisa é certa, muito depende da educação e da criação que eles tiverem. Por isso hoje eu vou falar sobre empreendedorismo infantil ou sobre como nós devemos ensinar nossas crianças a empreender.

Você deve estar se perguntando se eu enlouqueci, afinal, crianças não devem trabalhar e sim estudar/brincar/se desenvolver. Mas pensem comigo, se o empreendedorismo fizer parte do desenvolvimento da criança, ela vai chegar à fase adulta (à temida hora de trabalhar pra viver) com uma visão de mundo completamente diferente e vai ser capaz de realizar mais coisas pela humanidade (eu acredito num mundo mais justo). É, parece um tanto sonhador, olhando assim, mas como já disse em quase todos os artigos anteriores, empreender não é só abrir um novo negócio. Muitas iniciativas sociais que têm mudado a vida de pessoas pobres ou doentes nascem de grandes empreendedores. Tipo o Lucky Iron Fish, o peixinho de ferro criado pra combater a anemia ou os Kangaroo Cups, canecas adaptadas que uma menina de 11 anos (!) criou para o avô com Parkinson poder beber coisas sozinho sem entornar nem depender de outra pessoa. Tudo isso, além das novas empresas que surgem no mercado “convencional”, é fruto do que chamamos de atitude empreendedora.

Nada mais justo com a sociedade (e a humanidade) do que desenvolver essa atitude empreendedora desde cedo nas nossas crianças. Assim, elas vão se tornar adultos mais responsáveis e com mais interesse no desenvolvimento humano, ainda que não abram suas próprias empresas.

Um tempinho atrás, saiu uma notícia no jornal de uma menina norte-americana de 10 anos que viria ao Brasil falar para crianças sobre empreendedorismo. Desde os 7 anos ela percebeu que empreendedorismo era legal e deveria ser ensinado na escola. Aí você me diz “mas também, a mãe dela é empreendedora, claro que ela ia achar isso interessante”. Eu só te pergunto uma coisa: aos 7 anos? Será mesmo que ela só olhou pra mãe e achou que aquilo era legal ou ela cresceu naquele ambiente, sabendo do que se tratava e, aí sim pôde tirar suas próprias conclusões? Pois é. Desde muito nova a menina Kylee aprendeu a ter uma atitude empreendedora. E aos 10 anos já tem o seu próprio negócio (óbvio, em sociedade com a mãe), que nada mais é do que um projeto de ensino de empreendedorismo para crianças. Kylee, aos 7 anos, percebeu que o mundo poderia ser melhor se todos tivessem uma atitude empreendedora.

Eu mesma fui me dar conta há pouco tempo que cresci num ambiente empreendedor e muito antes de pensar em empreender já tinha vivido experiências nesse universo. Meus avós vieram do interior e até começar a vida aqui tiveram que ralar muito, então os quatro filhos deles (dos quais uma é a minha mãe) sempre exerceram sua atitude empreendedora. Minha mãe e minhas tias faziam artesanato – que virou hobby. Meu tio permaneceu empreendedor, hoje é dono do próprio negócio e envolve a família inteira na empresa. Aliás, amigos e família são nossos primeiros clientes quando começamos um negócio e precisamos aprender a cativá-los. Mas isso é assunto pra outro artigo.

Outros tantos projetos de ensino de empreendedorismo para crianças começam a surgir e me fazem acreditar que os meus sobrinhos vão, sim, viver num mundo muito mais justo e democrático. A Oficina de Negocinhos, por exemplo, propõe o ensino de empreendedorismo para crianças a partir de 6 anos “como instrumento de transformação econômica e de inclusão social”. O site Entrepreneur – uma excelente referência sobre empreendedorismo – também destaca a importância de se desenvolver uma atitude empreendedora desde a infância (neste artigo aqui). A empresa Junior Achievement, outra referência no assunto, tem um projeto intitulado Miniempresa, no qual jovens do segundo ano do ensino médio tem consultoria com grandes gestores e criam uma empresa do zero, sendo responsáveis pela gestão de pessoas, contabilidade, ações de marketing, feitura e venda de produtos, etc. Eu participei desse projeto e posso dizer que aprendi muito com a experiência e carrego desde então valores e atitudes que me ajudam a empreender hoje.

Então, sejamos responsáveis por uma nova geração de empreendedores. Transmitamos às nossas crianças valores e conhecimentos que serão fundamentais na vida adulta delas. Afinal, nada melhor do que ensinar empreendedorismo a seres humanos na fase em que se acredita mais nos seus sonhos: a infância.

Imagem: cena de Chaves, tirada de tiendadelchavo.com

Renata Coelho Soares de Mello
Produtora cultural. Fotógrafa. Metida a poetisa. Exploradora. Curiosa. Criativa. Renata é daquelas que faz tudoaomesmotempoagora. Uma de suas maiores paixões é cair no mundo. Aproveita suas viagens pra absorver outras culturas e aprender como as pessoas se relacionam com suas cidades. Formada em Produção Cultural pela UFF, atuou em diversos segmentos até descobrir que seu caminho era empreender. Hoje, pós-graduanda em Turismo na UFF (sua segunda casa), está à frente do projeto Explore Niterói e vai compartilhar um pouco das suas pesquisas sobre turismo cultural, cidades e pessoas. Prontos pra fazer as malas?

2 COMENTÁRIOS

  1. Adoro seus artigos! É de fato este “exercício” de empreender desde de pequenos, deveria ser um grande estímulo em nossas escolas pré-primárias. Lembro bem que em uma colônia de férias que participei (Período Mesozoico hahahaha), uma de nossas principais atividades era o artesanato. Creio que de certa forma fui estimulado a “enxergar” não somente de forma cultural e lúdica o nosso mundo, mas como disse Nur Khattab no comentário anterior: “Crianças sonham alto e aprendem brincando. É uma fase ótima para estimular uma mentalidade empreendedora”.

  2. Excelente o artigo! Gostei muito também das referências. Crianças sonham alto e aprendem brincando. É uma fase ótima para estimular uma mentalidade empreendedora.

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