Se a última coluna foi de retrospectiva, que esta seja uma perspectiva confiante para o ano que começa. Chegou a época em que se pegam aquelas listinhas de resoluções do ano novo e vemos o que realmente dá para cumprir. Pois é agora que começa 2015 e com ele pode começar — se for o seu tipo de coisa — aquelas boas leituras que o ano pode trazer.

É justamente nesta época que é muitíssimo comum vermos viralizando na internet os desafios anuais de leitura. Quantos e quais livros você pretende ler em 2015? Teremos algum enfoque temático, uma busca pela variedade, quem sabe um ritmo constante? Em 2014 vimos florescer a popular hashtag #readwomen2014, proposto pela escritora Joanna Walsh para discutir a desigualdade de gênero na literatura e promover a leitura de mais obras escritas por mulheres durante o ano passado. Colegas e amigos entram, colegas e amigos podem ter conseguido ou não, mas assim como as resoluções de ano novo colocadas na listinha, às vezes é uma boa intenção que conta.

Temos metas autoimpostas e aquelas exteriores. Assim como a “Leia mulheres em 2014”,  neste 2015 parecemos começar bem: o próprio Mark Zuckerberg, não pouco conhecido por ser o dono e fundador desta máquina social que rege a internet, neste começo de ano já estipulou a criação de um clube do livro virtual. Ele estabeleceu a própria meta de ler um livro novo por semana e convidou todos os internautas (rs) que navegam em sua rede social a fazer o mesmo.

Já nas metas que nós nos colocamos, não faltam falicitadores para as levarmos às últimas consquências: redes sociais de leitura como o Goodreads e o Skoob já contemplam ferramentas para que possamos acompanhar nosso desempenho. O Goodreads faz todo o seu ano o “Reading Challenge“, no qual você pode estipular uma meta numérica de leitura: “quero ler X livros neste ano”. O site então lhe mostra o ritmo de leitura, quantos adiantados ou atrasados você pode ou tem de compensar, e quais foram os lidos até então. A rede brasileira, por outro lado, é mais específica: você não estipula quantos livros pretende ler, mas quais. Nem sempre é muito conveniente quando você é daqueles que muda de ideia toda hora sobre qual livro pretende ler para agora, mas ainda assim é uma boa alternativa.

11394_814092675327513_9204568040728382524_nAlém disso, temos aquelas diversas listas nos desafiando a ler diferentes tipos de livros até o fim do ano. Um livro de não-ficção, um livro na sua cidade, um livro com o título com apenas uma palavra, um livro disso, um daquilo. Até mesmo o Tag se juntou a essa com a sua própria lista abaixo, mas uma mera busca no Google por “2015 reading challenge” já nos oferece uma variada gama de opções de tais desafios para estimular a leitura no ano que agora surge.

Pois o estabelecimento de uma meta, um ponto de chegada claro e conciso pode ser uma boa ideia para alavancar a leitura e limpar aquela pilha de livros tomando poeira na estante ainda deixados sem ser abertos. Um incentivo sempre bem-vindo, como que um motivo a mais para finalmente se colocar a ler. Algumas pessoas funcionam a bases de planos, outras de improvisos. Outras, entretanto, de desafios. Apenas para mostrar que pode, lerá um livro por semana, lerá os vinte e tantos livros diferentes que aquela imagem estipulou. E se as intenções são nobres, por que não? Dá sempre um gás a mais.

Estamos em uma boa época para isto: o começo de ano sempre traz aquele fôlego extra que nos inspira a tirar tudo a limpo, a fazer aquelas coisas que estamos procrastinando há tempos. Então por que não estender isso aos livros e começar o ano no pé direito, com uma mão na página? Estarei aqui com meu desafio anual de completar a média de um livro por semana. Leia-se, 52 até o fim do 2015. Ao mesmo tempo, tentarei cumprir este imposto pelo TagCultural, procurando encaixar estes nos que me acompanharão semanalmente. E, livro mais curto, livro mais longo, eventualmente chegaremos lá.

Bruno Alves
Paulistano de nascimento, jundiaiense de coração e carioca honorário. Formando em Comunicação Social (Produção Editorial) na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é assistente editorial na Bertrand Brasil e leitor de gosto eclético: ama literaturas contemporâneas e ficções de gênero em igual medida. Eventualmente tenta a mão na ficção, com resultados aqui e ali.

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