“Meu corpo não é seu”, “Vamos fazer um escândalo”, “Meu corpo, minhas regras”… Gritos de socorro estão soando por todos os lados. Gritos de liberdade que finalmente passaram para a pauta do dia. E o melhor de tudo é que a cultura comprou essa briga!

Desde os primeiros protestos contra o Projeto de Lei 5069, são muitas as contribuições culturais que começaram a pipocar pela internet a favor dos direitos das mulheres. Direito de ter atendimento em caso de estupro, direito de fazer com seu corpo o que achar que é melhor, direito de ser respeitada no ambiente de trabalho e ao andar na rua, e por aí vai…

E não há material mais rico para a cultura do que a movimentação espontânea de indivíduos na afirmação de sua identidade. Nesse caso, a identidade feminina e feminista! Sim, porque chegou a hora de entender que feminismo não é uma chatice, não é coisa de recalcada nem de quem odeia homens. É coisa bem importante e antiga, que se não existisse desde antes de eu nascer, talvez eu não pudesse estar aqui, escrevendo e publicando o que penso sobre os direitos da mulher.

Livro #primeiroassédio

O pontapé inicial foi dado pela campanha #primeiroassedio, das meninas do Think Olga. Diante das atrocidades escritas por pedófilos do Twitter a respeito da participante do Masterchef Junior, Valentina, uma menina de 12 anos, o Think Olga criou a hashtag e incentivou meninas de todo o Brasil a compartilharem publicamente a primeira vez em que foram assediadas sexualmente. E a coisa cresceu de maneira inesperada! Foram milhares de compartilhamentos de primeiros, segundos e cotidianos assédios que sofremos desde a infância.

A novidade é que todo esse material vai virar um livro! A professora de literatura brasileira da PUC-Rio, Giovanna Dealtry, já está recolhendo os desabafos feitos on-line por inúmeras vítimas de violência.

No site do Diário de Pernambuco tem uma matéria detalhada e uma entrevista com a professora.

Colunas aderem ao #agoraéquesãoelas:

Semana passada a campanha #agoraéquesãoelas propôs que homens cedessem os espaços de suas colunas on-line em veículos importantes como a Folha de São Paulo, O Globo e a Carta Capital, para que mulheres tomassem a frente a falassem por elas mesmas contra a opressão de gênero.

Dentre os colunistas estão: Gregório Duvivier, Marcelo Freixo, Jean Wyllys, João Paulo Cuenca, Leonardo Sakamoto, Mariano Marovatto, Daniel Mack, Jorge Bastos Moreno, Allan da Rosa, Marco Antonio Carvalo Teixeira, entre outros.

O olmo e a gaivota – “Meu Corpo, Minhas Regras”

O premiado filme “O olmo e a gaivota”, da diretora Petra Costa, explora sem melodrama e sem medo o que se passa com uma atriz, às vésperas de interpretar o trabalho mais importante da sua vida, e que se descobre grávida.

No embalo da questão que o longa traz e na já chamada “Primavera das mulheres” que estamos presenciando, a diretora convocou atores e atrizes que tinham assistido ao filme para uma contribuição maior: o vídeo “Meu Corpo, Minhas Regras”, que em três dias alcançou sete milhões de visualizações. Nele, um texto questionador e muito bem escrito é falado por todos os atores. Fala de corpo, aborto, liberdade e mulheres. Vale a pena ver mais de uma vez.

Projeto “Meu corpo não é seu”

Ontem (10/11/2015) entrou no ar o projeto “Meu corpo não é seu”: em um canal no Youtube serão compartilhados vídeos em que atrizes convidadas interpretam textos ficcionais inspirados em depoimentos reais dos muitos assédios. Os textos foram escritos por mim e por duas amigas roteiristas: Clarice Rios Corrêa e Juliana Colares.

A concepção do projeto veio da necessidade de dar vozes e rostos a esses milhares de desabafos e gritos de socorro que soaram nas últimas semanas. Como roteiristas, nossa contribuição não poderia ser outra senão as palavras, o texto, o audiovisual.

Amigas queridas e super disponíveis abraçaram o projeto e graças a elas o resultado chegou exatamente onde queríamos. Luísa Mello fez a direção de fotografia e captação de som, Julia Zettel editou e fez a arte e as fantásticas atrizes convidadas tiveram a missão de doar sua emoção e imagem: Alice Wegmann, Ana Rios, Anna Clara Carvalho, Camille Leite, Gabriella Lavinas, Gisela Arnaud, Isabel Martins Zua Mutange e Natasha Sierra.

E ainda virão mais manifestações culturais por aí! Esse é só o começo. Apenas o início do processo de empoderamento feminino contra a discriminação de gênero, contra a tolerância que o mundo ainda tem com a violência sofrida pela mulher todos os dias. E a melhor parte: estamos falando por nós mesmas! E por todos os lugares, em todos os veículos.

Vai ter feminismo sim! E está na agenda cultural. Fica ligado!

Nathália Oliveira
Parte cineasta, parte bailarina e parte roteirista, Nathália Oliveira gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Formada em Cinema pela PUC-Rio, ela trabalha atualmente como redatora publicitária na Rede Telecine e roteirista de projetos independentes. Ao longo de sua formação acadêmica fez curtas universitários e clipes musicais como assistente de direção, assistente de produção, assistente de fotografia, conselheira e animadora de equipe. Trabalhou durante 6 meses como voluntária no projeto social CriAtivos organizando um cineclube para crianças. Isso tudo sem deixar de frequentar as aulas de ballet e jazz. Apaixonada por cinema brasileiro, esta é sua primeira colaboração para um site cultural. Nathália acredita que todo filme merece ser visto e vai tentar te convencer disso.

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