Essa semana rolou o Seminário Internacional Cultura e Desenvolvimento, promovido pelo Ministério da Cultura e a UNESCO. Uma galera de peso chegou aí, incluindo a Irina Bokova que participou da abertura com direito a clássica canja do ex-ministro e eterno mestre Gilberto Gil. O mote para realização do evento foi nobre, 70 anos da UNESCO e 10 anos da aprovação da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, vulgo Diversidade Cultural. Para além das críticas a todos os órgão internacionais, a UNESCO tem um papel certificador e legitima alguns de nossos discursos para quem precisa/valoriza uma chancela para dar credibilidade (vulgo setor privado e até público).

 

Apesar de achar que a diversidade não precisa de proteção em si, mas de espaço, a Convenção foi de fato uma conquista de lugar de fala das diversas expressões culturais no mundo e, o Brasil, na época com Gil na Cultura, teve grande importância nessa conquista. Em nosso papel como produtores e gestores culturais, esse é também um documento que nos respalda na briga por espaço de manifestações culturais sem apelo comercial, aquela citação no PPT do projeto que pode fazer um clique em quem está assistindo, aquele trecho que você insere na justificativa no formulário de um edital.

 

Das palestras que assisti, que não foram todas, uma me chamou atenção especial, a da Avril Joffe, que mostrou um contraponto interessante sobre a relação Economia x Industria x Cultura x Criatividade. Ela defendeu a importância de trazer a cultura para o centro da economia e fez uma crítica às substituições de conceito por Economia criativa/Indústria criativa. A conceituação de indústria criativa foi importante para chamar atenção e investimento para o setor, usando a linguagem econômica, como por exemplo a geração de emprego e renda, mas não dá para deixar a cultura perdida dentro do conjunto Economia Criativa.

 

Esses últimos são tomados de aspectos comerciais e de difícil definição, pois criatividade pode ser vista em todo tipo de trabalho. Com a cultura trazemos a pauta de bens intangíveis, para um verdadeiro shift social, onde o dinheiro fica em segundo plano e o bem estar social, a memória, as identidades culturais, e por que não a auto estima e a felicidade, ganham maior destaque.

 

Isso me tocou, pois como digo e repito, estamos vivendo um momento de transição de modelo econômico e acredito, puxando sardinha mesmo, que o capital perderá sua posição para o sociocultural. Como ainda viveremos um modelo misto, é necessário conversar com os dois mundos. Avril apontou um Framework para estatísticas Culturais da UNESCO super interessante, leitura válida!

 

Sigamos!

 

Inté!

 

PS: destaque também para o show de encerramento com Céu e BNegão no Circo Voador. Catártico é a palavra que resume!

 

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

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