Foto: Filme "Resguardo"

Nesses quatro dias de Mostra de Cinema de Tiradentes muito se tem falado do lugar do curta-metragem na cena nacional.

Durante a mesa de seminário com o Secretário do Audiovisual (Pola Ribeiro), o Presidente da Associação Curta Minas (Marco Aurélio Ribeiro) citou trechos de uma carta aberta à Secretaria do Audiovisual com sugestões/reivindicações a respeito do descaso com o curta-metragem dentro das políticas públicas. Não encontrei a carta na internet. Se alguém encontrar, por favor, comentar aqui!

Para além do investimento público, o curta-metragem vem sendo discutido e defendido como um formato específico, único, e não apenas como um exercício para se chegar ao longa-metragem ou uma amostra do que poderia ser um longa.

E esta colunista acredita que sim, o curta-metragem é um formato que tem vida própria e se faz cada vez mais relevante num mundo onde conteúdos de no máximo 5 minutos são amplamente difundidos, compartilhados e assistidos pelas pessoas. Ou seja, chegou sim a vez do curta-metragem. Mas será que encontramos sua voz?

Até domingo, dia 24, assisti aqui na Mostra um total de 12 curtas-metragens. E considerando que todos os filmes enviados para esse evento são assistidos e escolhidos por uma curadoria experiente, só posso concluir que, (generalizando um pouco) o curta-metragem brasileiro contemporâneo ainda não encontrou o caminho para a sua voz.

8 filmes de Minas Gerais, 2 do Rio de Janeiro e 2 de São Paulo. Apenas filmes do sudeste brasileiro. A maioria deles com temáticas parecidas e pouca habilidade narrativa.

teatro1 (1)De todos esses, apenas um se destacou por uma bela realização e um olhar sensível dos diretores Francisco Franco e Luiz Fernando Priamo.

“Resguardo” é um filme de 22 minutos que evidencia sua sina documental: afirma no início que o objetivo do curta era um, mas que ao longo do caminho se transformou em outro. E que bela transformação! O que era para ser um filme sobre a temporada de torneios leiteiros no interior de Minas, se metamorfoseou na história de três mulheres fortes da mesma família. Um relato simples, poético e de muita força cinematográfica.

O curta-metragem merece nossa atenção e cuidado. Merece muita discussão e reflexão sobre qual é o seu lugar nesse mundo de longas e superproduções. No caminho para esse lugar, talvez encontremos sua voz, ou as muitas vozes que ele pode adquirir e experimentar.

Ainda tem muito curta pra ser exibido nessa tela mineira, e espero ter boas surpresas pela frente!

Ah, e aqui vai o trailer de “Resguardo”:

 

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Nathália Oliveira
Parte cineasta, parte bailarina e parte roteirista, Nathália Oliveira gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Formada em Cinema pela PUC-Rio, ela trabalha atualmente como redatora publicitária na Rede Telecine e roteirista de projetos independentes. Ao longo de sua formação acadêmica fez curtas universitários e clipes musicais como assistente de direção, assistente de produção, assistente de fotografia, conselheira e animadora de equipe. Trabalhou durante 6 meses como voluntária no projeto social CriAtivos organizando um cineclube para crianças. Isso tudo sem deixar de frequentar as aulas de ballet e jazz. Apaixonada por cinema brasileiro, esta é sua primeira colaboração para um site cultural. Nathália acredita que todo filme merece ser visto e vai tentar te convencer disso.

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