No embalo do feriado dessa semana (2 de novembro, Dia de Finados) resolvi escrever sobre um filme cuja premissa está totalmente baseada nessa data comemorativa.

Aqui no Brasil, é celebrado o Dia de Finados, que vem da tradição católica, assim como o Dia de Todos os Santos, que é dia 01 de novembro. No México, a celebração do Día de los Muertos já existia antes dos espanhóis chegarem lá, ou seja, antes da tradição católica.

É um dia de festa para os mexicanos porque segundo a lenda, esse é um dia em que os mortos ganham a permissão de visitar os parentes e amigos vivos, logo, precisam ser recebidos com muita alegria e celebração!

Em “Festa no Céu” boa parte da história dessa tradição e da cultura mexicana é explicada logo no início. Assim, conhecemos as três divindades: La Muerte, a rainha da Terra dos Lembrados, uma doce e misericordiosa entidade; Xibalba, o oposto da anterior. É feito de tudo de mal que existe no mundo e reina sobre a Terra dos Esquecidos, resumidamente: o vilão da história; E o Homem de Cera, um simpático barbudo que reina sobre o passado e o futuro de todos os seres vivos.

La Muerte e Xibalba
La Muerte e Xibalba

Apresentadas as três divindades, passamos a conhecer os três protagonistas dessa história: María (voz de Zoe Saldana), Manolo (voz de Diego Luna) e Joaquim (voz de Channing Tatum). Melhores amigos na infância, os três são inseparáveis. Até que María é obrigada pelo pai a estudar fora, deixando os dois amigos (que também são apaixonados por ela) aguardando seu retorno à pequena vila de San Angel.

Ainda nessa fase infantil dos personagens, La Muerte e Xibalba fazem uma aposta: qual dos dois meninos vai se casar com María. O que está em jogo é o controle sobre a Terra dos Lembrados, lugar para onde vão as almas que deixaram algum vínculo de amor aqui na Terra, ou seja, onde moram aqueles que ainda são lembrados pelos vivos.

Trançados junto com as tradições mexicanas estão temas importantes como o feminismo, os maus tratos com touros em touradas, a importância da família e de ser você mesmo diante das expectativas dos outros. É um desses filmes raros que conseguem unir emoção com questionamentos atuais e universais.

À tempo: María é uma bela de uma princesa, que poderia ser admirada e estudada por crianças do mundo todo. Além de saber muito bem qual o seu lugar na sociedade, ela é questionadora, inteligente e tem um porquinho de estimação! Não um tigre, nem ratinhos, nem anões… Um porquinho rosa! Maravilhoso, né?

Enfim, emocionante mesmo é a trilha sonora, que é um espetáculo à parte. Além de composições originais como a fofíssima “The Apology Song”, ela também traz versões novas (com um toque latino) das músicas Do or Die (30 Seconds To Mars) e Take it all away (Owl City).

O visual da animação é de tirar o fôlego. A estética tradicional do Día de los Muertos é rica por si só, e ainda mais quando unida a um trabalho delicado de movimentação e estilização de personagens, ambientes e cores. O resultado é exuberante.

O feriado já passou, mas ainda é tempo de assistir essa verdadeira celebração visual, produzida pelo experiente Guillermo Del Toro, e lembrar que o universo da animação vai muito além do “bloco-de-um-estúdio-só”. Fica a dica!

Nathália Oliveira
Parte cineasta, parte bailarina e parte roteirista, Nathália Oliveira gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Formada em Cinema pela PUC-Rio, ela trabalha atualmente como redatora publicitária na Rede Telecine e roteirista de projetos independentes. Ao longo de sua formação acadêmica fez curtas universitários e clipes musicais como assistente de direção, assistente de produção, assistente de fotografia, conselheira e animadora de equipe. Trabalhou durante 6 meses como voluntária no projeto social CriAtivos organizando um cineclube para crianças. Isso tudo sem deixar de frequentar as aulas de ballet e jazz. Apaixonada por cinema brasileiro, esta é sua primeira colaboração para um site cultural. Nathália acredita que todo filme merece ser visto e vai tentar te convencer disso.

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