Uma das vantagens de estar pela Europa é a facilidade de mover-se e em algumas horas mudar de língua, país, cultura. Já disse Pessoa que para viajar, basta existir. E, existir viajando é algo a se fazer, e o pratico sempre que posso.

Um dos países que sempre tive muita vontade de conhecer era a Polônia. Tendo feito amigos poloneses, tive a desculpa perfeita para enfim conhecer mais a cultura polonesa. Desde sempre esse país povoou meu imaginário. Talvez pelos filmes de guerra, mas, muito pelas histórias que ouvia em casa. Minha avó materna é filha de poloneses e escutar sobre o idioma, as lendas e imaginar esse país tão tão distante que tem neve, era algo que tomava muito tempo, muitos sonhos.

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Em janeiro, tive a oportunidade de visitar Varsóvia pela primeira vez. Encontrei uma cidade coberta de neve, as opções de lazer ao ar livre são bastante restritas nessa época do ano. O que é compensado pelos cafés, pelos museus, pela simpatia dos locais e, claro, pelas paisagens brancas e únicas. Mas, vir à Polônia no calor foi uma experiência completamente diferente. As ruas ganham vida, e o silêncio do inverno de janeiro parece uma memória muito distante, nada parecido com os vestidos floridos, as crianças com seus sorvetes e tudo que chega junto com o Sol.

Voltei a Varsóvia para o casamento de um grande amigo e, tenho que dizer, os poloneses sabem como fazer festa! (o que merece um post dedicado as tradições do grande dia por aqui). Passado a boda, tinha mais um dia livre na cidade e fui conhecer uma outra warsaw. Já de cara, minha amiga me disse que me levaria a praia. Aqui não tem praia natural, mas isso não é razão para não colocar os pezinhos na areia, o biquíni e dançar tipo axé moi.

La playa é uma espécie de bar-discoteca-restaurante ao ar livre e um ponto de encontro dos jovens e famílias. Com palmeiras falsas e a beira do rio Vístula, as meninas desfilam em biquínis, salto alto e muita maquiagem. Muita maquiagem. Para mim, foi um choque. Carioca da gema em uma praia artificial e algo que não acontece todos os dias.

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Confesso que nos primeiros cinco minutos achei muito estranho. Um monte de polacos dançando salsa em um calor surreal e vestidos, ao lado de outros que tomavam sol e bebiam . Mas todo o estranhamento durou até colocar os pés na areia.

Estar ao ar livre é algo que no Brasil podemos ter sempre e, por isso, talvez não seja tão valorizado. O La Playa tem como objetivo ser um ponto de sociabilidade e encontro da comunidade, ser um lugar para estar ao ar livre, por isso promovem as atividades de dança. O mais interessante é que tanto o acesso quanto a aula são totalmente gratuitos.

Logo, fomos para um passeio no centro histórico, o qual foi todo reconstruído e, na minha opinião, o centro mais charmoso que conheço. As vielas e os detalhes de Varsóvia são apaixonantes e recomendo a quem tiver oportunidade ou o mesmo o sonho que um dia eu tive, a vir. No inverno ou no verão Varsóvia é linda.

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Annanda Galvão
Annanda Galvão Ferreira da Silva têm quase tantas profissões quanto sobrenomes: designer de moda pelo SENAI/Cetiqt, Produtora Cultural pela Universidade Federal Fluminense. Cursou Gestão Cultural na Universidade Lusófona de Lisboa e foi investigadora pelo CNPQ-Pibic na Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) em Políticas Culturais, sendo seu artigo “A visão do Conselho Federal de Cultura sobre as artes popular e erudita” premiado na V jornada de iniciação científica da FCRB e também pela Gerência de Cultura da Escola Sesc de Ensino Médio (2012). Mestre pela Universitat de Barcelona onde cursou o mestrado “Construção e Representação de Identidades Culturais”. Atualmente é aluna do programa de doutorado em Estudios Migratorios da Universidad de Granada, onde continua estudando as migrações a luz das políticas culturais. Tendo atuado em diversas áreas da produção e gestão cultural, realizou instância de colaboração no departamento de conteúdo do teatro do governo espanhol e catalão Mercat de les Flors, tendo coordenado o projeto "Trocas - formació i dansa" de intercâmbio entre entidades espanholas e brasileiras, foi também colaboradora e palestrante do IPAM - International Performes Arts Meeting que acontece dentro do Festival Grec em Barcelona. É professora de elaboração de projetos culturais do curso de formação de agentes culturais dentro do Programa Favela Criativa da Sec-rj gestionado pelo Cieds. É idealizadora de projetos nas áreas de cinema, arquitetura e educação. Apaixonada por viagens, carimbos no passaporte, museus, livros e pessoas , é curiosa por natureza e espera mostrar um pouquinho do que têm visto mundo a fora para os leitores do TagCultural.

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