Arte da imagem em movimento, que não deixa rastros e nem vestígios materiais… a dança é permeada pela efemeridade. Acontece no aqui e no agora e o que resta depois são apenas as lembranças de quem a presenciou.

Mas ao aliar-se à arte da imagem fixa, a fotografia, ela ganha o poder de ser eternizada, pelo menos em alguns aspectos.  Entre a visibilidade da superfície corpórea, entre a invisibilidade dos rastros oriundos dos movimentos e entre o equilíbrio e o desequilíbrio, a dança acontece. E a fotografia permite que tudo isso seja exposto em apenas uma única imagem. É algo mágico! (Devo confessar que sou uma bailarina apaixonada por fotografia. Termino um espetáculo e já vou direto ao fotógrafo para conferir como ficaram os registros fotográficos e 90% da memória do meu HD é ocupada por fotos de dança rsrsr).

 

Entretanto, fotografar dança não é tão simples assim. Registrar um movimento, de Ballet Clássico em especial, pode se tornar uma tarefa quase impossível se não se tem os conhecimentos necessários.

 

Paula Lobo em ação
Paula Lobo em ação

Conversando certa vez com a brasileira Paula Lobo,  fotógrafa de dança do The  New York Times, ela me explicou que muita coisa pode dar errado durante o ato de fotografar um espetáculo: perder o momento, estar com a luz errada ou atrasar o disparo da câmera, por exemplo.  Estar atenta de corpo e alma e com todas as funções técnicas da máquina preparadas, é o que garante a foto perfeita segundo ela.

 

Além de atenção, o fotógrafo precisa ter o mínimo de conhecimento técnico de dança e saber como se comporta o corpo do bailarino, para que possa fazer um registro plasticamente  correto, em termos de técnica de dança, não expondo assim  o bailarino em uma posição “torta” ou então fazendo a foto antes do mesmo estar no auge de seu movimento.

 

E cada fotógrafo tem o seu estilo de fotografar  dança. Alguns se interessam em captar mais as façanhas técnicas e virtuosas do corpo, outros mais em captar a emoção dos olhares e gestos. Vai muito da personalidade e da intenção artística de cada um.

“Procuro sempre sair das fotos clichês de arabesques e grand-jetés, buscando as fotos inusitadas, focando mais nos braços e na expressão do que na técnica em si.” (Paula Lobo).

paula lobo 3

Alguns utilizam técnicas fotográficas que criam rastros de movimento na imagem, como por exemplo o Valério Silveira, fotógrafo brasileiro de Belém do Pará. Esse tipo de fotografia dá a impressão de que o bailarino está de fato, em pleno movimento.

Foto de Valério Silveira. Espetáculo “Amazônia”. Bailarinos Liana Vasconcelos e Davi Chagas.

Pensando agora internacionalmente em fotos de dança, temos o super fotógrafo Gene Schiavone, que fotografa todas as grandes estrelas do mundo do  Ballet Clássico e que é uma referência e termos de qualidade e olhar artístico.

Svetlana Zakharova por Gene Schiavone
Svetlana Zakharova por Gene Schiavone

E por fim, o  famoso “Ballerina Project”, projeto criado pelo fotógrafo Dane Shitagi, que registra imagens de bailarinas norte- americanas em lugares urbanos, fora do espaço tradicional do palco. Atualmente, o “Ballerina Project” tem uma das maiores redes do mundo de seguidores de páginas relacionadas ao Ballet, no Facebook e no Instagram.

Ballerina Project
Ballerina Project

Acesse o site do projeto aqui: http://ballerinaproject.com/about/

 

Fotografar dança é mais do que simplesmente “chapar”  o corpo de um bailarino em uma imagem fixa. É uma tentativa de fazer o tempo parar, fazendo aquele movimento, aquele gesto e aquela emoção durarem “ad aeternum”. É  a mágica de capturar a beleza da alma do bailarino em um instante e permitir que ela perdure em um futuro infinito!

 

Liana Vasconcelos
Bailarina formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro) e pela Royal Academy of Dance, de Londres. Conta em seu currículo com diversas premiações em concursos nacionais e internacionais. Ganhou, em 2009, o prêmio de melhor bailarina no Seminário de Dança de Brasília e foi agraciada com uma bolsa de estudos para o Conservatório de Dança de Viena. Pertenceu à Cia. Jovem de Ballet do Rio de Janeiro, São Paulo Companhia de Dança e se apresenta como bailarina convidada em diversos festivais de dança no Brasil. É Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a monografia “Memória da Dança: Importância, Registro, Preservação e Legado”. Fez parte do elenco da novela “Gabriela”, da Rede Globo de televisão como bailarina/atriz. Foi contratada pela São Paulo Companhia de Dança, como Pesquisadora, para elaborar duzentos verbetes relativos à dança no Rio de Janeiro, para a enciclopédia online “Dança em Rede”, criada por esta companhia. É também colunista de dança no Blog Radar da Produção É bailarina-intérprete e produtora, junto ao diretor Thiago Saldanha e a coreógrafa Regina Miranda, do projeto “Corpo da Cidade”, uma experimentação em vídeodança que busca dialogar o corpo dançante da bailarina clássica com as transformações urbanas que a cidade do Rio de Janeiro vem sofrendo. Atualmente, é bailarina contratada do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro É apaixonada pelas artes cênicas, espectadora frequente dos teatros do Rio de Janeiro, ama viajar e vive em eterna dança.

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