COMPANHIA JOVEM DE PARAOPEBA (MG) - "Tibum - Capítulo 1". Crédito: Diego Redel. Divulgação / Festival de Dança.

Dança contemporânea e urbanas. Duas danças de certa forma livres, mas que precisam de criatividade para sobreviver. A contemporânea deu um show de boas ideias. Já a urbanas, infelizmente, não posso dizer o mesmo. Sinto-me frustada que de 29 coreografias (de dois gêneros) só consiga ressaltar 4. É um cenário preocupante, mas que pode ser mudado com muito estudo, ousadia e vontade de sair do “lugar comum”.

O destaque da noite, para mim, foi para o grupo mineiro Companhia Jovem de Paraopeba. Eles competiram em Dança Contemporânea, na categoria conjunto sênior com a coreografia “Tibum – Capítulo 1” que buscou a dança em um lugar do nosso cotidiano. Em um ambiente comum para todos nós: a piscina. Isso mesmo, aquela mesmo que você usa para se refrescar. Já parou pra pensar quantos movimentos estão envolvidos nessa nossa tentativa de fugir do calor? Pois é… Eles pensaram e muito bem! A coreografia começa numa piscina, com corpo de baile reduzido, de aproximadamente 8 bailarinos em cena. Na abertura, o coreógrafo simulou uma pessoa deitada com a cabeça e pés na borda da piscina – só que em grande escala. Para esta encenação, utilizou-se de dois bailarinos: um com a cabeça na borda na extremidade direita da piscina e outro com as pernas e pés para fora na borda da extremidade esquerda. A piscina que estava em palco não era grande, acredito até que seja aquelas de 1 mil litros sabe? E as movimentações dos bailarinos que estavam “a bordo” dela eram as mais diversas – e comuns – possíveis: mergulhando, nadando, colocando a mão no rosto para tirar a água dos olhos, sacudindo-se para afastar a água do corpo… O grupo estava bem ensaiado, com movimentos limpos e apresentava boa técnica. E a dança foi apresentada ao público com o tom mais leve, descontraído e engraçado possível, levando a plateia a cair na gargalhada – muita gente deve ter se imaginado ali como eles, com certeza! A coreografia conquistou o 2º lugar – sem 1ª colocação – na categoria.

COMPANHIA JOVEM DE PARAOPEBA (MG) – “Tibum – Capítulo 1”. Crédito: Diego Redel. Divulgação / Festival de Dança.
COMPANHIA JOVEM DE PARAOPEBA (MG) – “Tibum – Capítulo 1”. Crédito: Diego Redel. Divulgação / Festival de Dança.

Já nas Danças Urbanas, categoria solo feminino sênior, quem saiu da zona de conforto foi a bailarina Francina Manson. Ela é integrante do Grupo Sigma – de Bauru, São Paulo – e veio competir em Joinville com a coreografia “Wacktri”. A coreografia demonstrou diversos passos de Waacking e Vogue dançados na música clássica. Isso é muito indicado visto que Hip Hop não é só o gênero de música Hip Hop e sim uma cultura. Podemos dançar Hip Hop em qualquer música e a prova disso é a Fran que dançou com movimentação muito bem executada, precisa e forte – mas com não menos “garbo” exigido pelo estilo. “Wacktri” obteve o 1º lugar na competição.

GRUPO SIGMA (SP) – "Wackitri". Crédito: Diego Redel. Divulgação / Festival de Dança de Joinville
GRUPO SIGMA (SP) – “Wackitri”. Crédito: Diego Redel. Divulgação / Festival de Dança de Joinville

A bailarina Meyrielle Gonçalves do Grupo Clássico da Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão – vindo de Natal, Rio Grande do Norte – trouxe a coreografia “Entre caminhos”. Meyrielle tinha ótimo domínio corporal, técnica e era muito precisa em seus movimentos. A coreografia foi apresentada de maneira mais central, mas não fez com que a balairina ocultasse o seu domínio e bom uso de palco. “Entre Caminhos” traz uma dança com tom de lamento e solidão mexendo com o apelo emocional da plateia. É uma coreografia gostosa de se ver e que mesmo sendo inclinada a tristeza passa a sensação de conforto. Meyrielle ganhou a 2ª colocação – sem 1º lugar – no gênero.

GRUPO CLÁSSICO DA ESCOLA DE DANÇA DO TEATRO ALBERTO MARANHÃO (RN) – “Entre Caminhos”. Crédito: Diego Redel. Divulgação / Festival de Dança de Joinville

Nas Danças Urbanas, outro exemplo de uso de gêneros diferentes de música para o Hip Hop foi utilizado pelo duo composto por Bruno de Oliveira Soares e Leonardo Holand do grupo Maniacs Crew de Joinville. A dupla dançou um Hip Hop de estilo bem underground e forte embalado por clássicos do rock. Teve AC/DC, Black Sabbath, Kiss… A coreografia foi de autoria de Bruno, com algumas sugestões de Leonardo, e feita em 1 mês. O figurino e o cenário brincavam com os dois estilos: cenário com o boombox representando o hip hop e o figurino rementendo aos astros do rock com direito a unha preta, batom preto e pulseiras de “spyke”. A ideia de misturar o rock com o Hip Hop veio pela originalidade: “É algo que ninguém ainda tinha feito e também porque gostamos muito de rock”, declara Leonardo. Perguntei se eles acham que o fato de terem ousado e saído da “zona de conforto” foi fator relevante para a construção da coreografia, Bruno me afirmou o seguinte: “Sim. Uma experiência nova abre um leque de informações na dança e quebra aquele conceito que Hip Hop deve ser dançado em músicas de Hip Hop. Estamos acostumados a inovar pois o Maniacs tem essa identidade”. Bruno e Leonardo também participaram do último da mostra, na sexta-feira, competindo junto com o grupo em Danças Urbanas, na categoria conjunto sênior. A dupla levou o 1º lugar e volta para se apresentar na concorrida Noite dos Campeões que acontece no sábado.

MANIACS CREW (SC) - "Rock Dance Roll". Crédito: Diego Redel. Divulgação / Festival de Dança de Joinville
MANIACS CREW (SC) – “Rock Dance Roll”. Crédito: Diego Redel. Divulgação / Festival de Dança de Joinville
MANIACS CREW (SC) - "Rock Dance Roll". Crédito: Diego Redel. Divulgação / Festival de Dança de Joinville
MANIACS CREW (SC) – “Rock Dance Roll”. Crédito: Diego Redel. Divulgação / Festival de Dança de Joinville

 

Confira o resultado da noite:
DANÇA CONTEMPORÂNEA – CONJUNTO – SÊNIOR
2° LUGAR: COMPANHIA JOVEM DE PARAOPEBA (MG) – Tibum – Capítulo 1
3° LUGAR: INSTITUTO DE ORIENTAÇÃO ARTÍSTICA (SP) – Se Um Olhar lhe Bastasse

DANÇA CONTEMPORÂNEA – DUO – JÚNIOR
2° LUGAR: Luiza Salvador e Maria Eduarda Klein – BALLET MARGÔ BRUSA (RS) – Dominó
2° LUGAR: Raquel Neves e Jonatas Santana – GRUPO IOA DANÇA (SP) – Primeiro Encontro

DANÇA CONTEMPORÂNEA – SOLO FEMININO – SÊNIOR
2° LUGAR: Meyrielle Gonçalves – GRUPO CLÁSSICO DA ESCOLA DE DANÇA DO TEATRO ALBERTO MARANHÃO (RN) – Entre Caminhos
3° LUGAR: Laura Gameiro – GRUPO DE DANÇA DO TEATRO MUNICIPAL PEDRO ANGELO CAMIN (SP) – Idiossincrasia

DANÇA CONTEMPORÂNEA – SOLO MASCULINO – SÊNIOR
2° LUGAR: Raul Arcangelo – ESPAÇO ARTÍSTICO – NICOLE VANONI (PR) – Desvio
3° LUGAR: João Vitor Rosa – CÍRCULO DA DANÇA – GRUPO DE FORMAÇÃO (MG) – Opus nº1

DANÇAS URBANAS – CONJUNTO – JÚNIOR
1° LUGAR: STREET EXTREME CIA DE DANÇA (PR) – O Caminho do Nirvana
2° LUGAR: HIP-HOP X-STYLE (SC) – Transformação Urbana
3° LUGAR: DANÇA DE RUA BASILEU FRANÇA (GO) – Estrelas do Ritmo

DANÇAS URBANAS – DUO – JÚNIOR
2° LUGAR: André Luiz Silva e Carlos Daniel Silva – GRUPO DE DANÇA ANDREIA MENDES – FCT (SC) – Frente E Verso
3° LUGAR: Thamissa Barwik e Yasmin Motta – STREET EXTREME CIA DE DANÇA (PR) – Meu Lado que Ninguém Vê

DANÇAS URBANAS – DUO – SÊNIOR
1° LUGAR: Bruno Soares e Leonardo Holand – MANIACS CREW (SC) – Rock Dance Roll
2° LUGAR: Rothyer Fernandes e Phillipe Martins – CENARTE DIMENSÕES (RJ) – Feeling Myself
3° LUGAR: Julia Carnevale e Maurício Martins Júnior – STREET EXTREME CIA DE DANÇA (PR) – Conta Comigo

DANÇAS URBANAS – SOLO FEMININO – SÊNIOR
1° LUGAR: Francina Manson – GRUPO SIGMA (SP) – Wackitri
2° LUGAR: Rafaela Rulli – PEC STUDIO (SP) – Vício
3° LUGAR: Daniela Viana – COMPANHIA DE DANÇA LILIANA VIEIRA (SC) – No Pain No Gain

DANÇAS URBANAS – SOLO MASCULINO – JÚNIOR
2° LUGAR: Caio Pra – STREET EXTREME CIA DE DANÇA (PR) – Meu Primeiro Raio de Luz
3° LUGAR: Leonardo Minikovski – STUDIO DE DANÇA MAUREEN RODRIGUES (PR) – Na Batida do Meu Corpo

Michelle Braga
Jornalista formada pelo Bom Jesus/IELUSC em Joinville (SC). Especialista em crítica de dança e jornalismo cultural. Foi bailarina de ballet clássico, jazz, danças populares e danças urbanas.

5 COMENTÁRIOS

  1. Só o fato de argumentar sem se expor, como autônomo, já descaracteriza o debate. Críticas sempre serão bem vindas, mas fica difícil levar a sério alguém que sequer tem coragem de dizer quem é.

  2. Mais informação menos critica estude um pouco senhorita Michle Braga, sobre o festival ele sempre foiconsoxetado o Maior e não o Melhor então é assim maior em estrutura e número de participantes e não em qualidade.

  3. Pra mim um dos piores festivais de dança do Brasil.
    Se escondem atrás de um nome fictício ( O maior festival de dança do Brasil )
    Mas é horrível, Graças a Deus hoje existem outros festivais para suprirem, pois o festival de Joinville está cada ano pior.
    Tenho pena desses bailarinos que se matam para dançar no tão prestigiado ” Palcos Abertos “.
    Uma vergonha e uma desvalorização dos grupos e bailarinos.

  4. Como você quer novidade, se entra ano e sai ano os principais grupos de danças urbanas não participam do festival. Fazem uma seletiva horrível e classificam grupos sem respaldo nenhum e querem algo surpreendente?
    Tem grupos que já participam há anos e vão apenas pra fazer volumes, mas mesmo assim estão todo ano no festival, enquanto isso grupos de um nível técnico completamente superior, estão fora porque não conseguem passar pela seletiva que é tão bem feita.
    Cito alguns nomes que deveriam estar no festival sem precisar de seletiva, pois todos sabemos que tem trabalhos surpreendentes:

    * Cultura do Guetto
    * Kahal
    * Street Xtreme
    * YO! Hip Hop
    * Shake-se Centro de Arte Lilian Gumieiro
    * Sheng
    * Millennium
    * Ritmos Bse
    * Tatiana Souza
    * Chemical Funk
    * Entre outros

    Uma pena que sempre um ou outro consegue entrar. Seria maravilhoso se só os melhores estivessem, pois esse é o
    “Maior Festival”. Deve ser só em estrutura, pois em qualidade faz tempo que não é.

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