CRÍTICA: “Pegando Fogo” novo filme de Bradley Cooper

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cinema2Pegando Fogo (Burnt), novo filme de John Wells, estreia dia 10 de dezembro em todo o Brasil e conta com Bradley Cooper (Sniper Americano), Sienna Miller (Foxcatcher) e Daniel Brühl (O Homem mais Procurado) no elenco.

O longa conta a história do chefe de cozinha Adam Jones (Bradley Cooper) que, após perder tudo o que havia conquistado em Paris por se envolver com drogas, se muda para Londres em busca de um recomeço na sua carreira. Seu objetivo é ganhar as tão almejadas 3 estrelas no Guia Michelin de restaurantes e provar para ele mesmo e seus pares que mudou e ainda pode ser o melhor.

Enquanto os filmes Julie e Julia (2009) e Sem Reservas (2007), que também utilizam o universo gastronômico como mote central, estão mais voltados para a comédia. Pegando Fogo tem um roteiro mais envolvente e dramático. Não há distrações que te desviam a atenção da luta de Adam pelo seu objetivo. Até as histórias que circundam Adam, como romance ou seu passado, estão diretamente ligadas à sua carreira e a necessidade dele se superar. Fazem seu papel de apoio e complexidade à trama sem se tornarem o foco.

“CONSISTENCY IS DEATH”

ADAM JONES

Os dramas são reais. Há uma possibilidade de reflexão da personalidade do personagem principal e do cenário no qual ele está inserido e de transpor essas ideias para outras situações do cotidiano do espectador. A necessidade de superar o passado, se perdoar, recomeçar, não saber lidar com o fracasso, auto-aprovação, medo… são nuances muito próximas. E por isso acredito que Pegando Fogo se destacada entre os filmes de mesmo estilo. Não tem nada de comédia romântica e Bradley Cooper proporciona uma interpretação impecável e marcante para o Chef.

Além disso é capaz de mostrar com riqueza de detalhes a realidade dos grandes e renomados restaurantes: competição, rigor, obsessão e a busca incansável pela excelência. Isso se dá por conta da atenção do diretor John Wells.

O também diretor das séries de televisão E.R. e The West Wing tem como característica mostrar os ambientes nos quais os personagens estão inseridos de forma extremamente verídica. Sem poupar esforços, os atores foram treinados com chefes de verdade para o papel, além de todos os figurantes que participaram na cozinha de Bradley Cooper de fato atuarem no ramo da gastronomia. A consultoria para as filmagens ficou por responsabilidade de Marcus Wareing, chef que já conquistou 2 estrelas Michelin com o restaurante homônimo Marcus e apresentador do Master Chef, à convite do roteirista Steven Knight.

Sienna diz, “Marcus foi duro conosco, nos tratava como se trabalhássemos em sua cozinha, não como atores. Nos treinou nos mesmos moldes ao lado de Gordon Ramsay e  Marco Pierre White – e seu estilo de gestão vem do militar: rígido e hierárquico. Na cozinha, Marcus demanda enorme respeito”.

Além da história se passar em Londres, capital mundial dos restaurantes finos, as filmagens aconteceram nos melhores restaurantes e cozinhas, como o de Michel Roux no Langham Hotel e o Delaunay, de Corbijn King. “Quando nós filmamos com o elenco, a comida foi preparada em sua fase correta, e cada uma das 40 ou 50 panelas nos fogões quentes seria parte direta do processo. O calor era alto todos os dias, em torno de 40 graus e o suor, os cortes e as queimaduras que você vê são reais, para que o público sinta que a cozinha é real” comenta Wells.

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Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

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