cinema3Quem assiste ao trailer de “Boa Noite, Mamãe” espera que sairá dali um terror sobrenatural, cheio de sustos e gritos. Mas o que os diretores austríacos Veronika Franz e Severin Fiala nos entregam é algo ainda mais perturbador.

Trata-se de um terror psicológico que certamente bebeu na fonte de outros grandes filmes do gênero como “Funny Games”, de Michael Haneke. Seu grande trunfo é unir uma virada absolutamente inesperada com alguns mistérios que ficam rondando a cabeça do espectador por algumas horas.

A projeção começa com uma cena do filme alemão “A Família Trapp” (1956), inspirado na história da família austríaca que também deu origem ao musical “A Noviça Rebelde” (1955). Uma cena de alegria e tranquilidade familiar. Atmosfera que será quebrada aos poucos (e com requintes de crueldade) ao longo do filme.

No plano seguinte, já conhecemos os personagens: dois meninos, gêmeos, perambulam sozinhos nos arredores de uma casa moderna e bonita em um campo isolado de tudo.

À certa altura, um carro chega na casa. Os meninos correm ansiosos para receber a mãe, que acaba de voltar de uma cirurgia. Com o rosto inchado e coberto de bandagens, a mulher se torna uma figura assustadora e os dois começam a desconfiar de que talvez ela não seja a verdadeira mãe deles.

Os atores Elias e Lukas Schwarz emprestam seus nomes para os personagens e realizam performances impecáveis, intensas e cheias de nuances. Talvez por serem realmente irmãos gêmeos (um “viva” para a produção de elenco!), ou por um excepcional trabalho de preparação de atores, ou talvez a união dessas duas coisas, que trouxeram para a tela uma conexão entre eles que é indiscutível e um dos motivos que nos causam ainda mais tensão e medo ao longo do filme. E ainda nos faz pensar: que tipo de mistérios envolvem dois seres humanos que foram criados/formados juntos e vieram ao mundo ao mesmo tempo? Eles dividiram um útero! Momento que a maioria de nós vive sozinho, numa experiência totalmente individual. Além disso: dois seres que têm rostos e corpos idênticos… Não 100% idênticos, claro, mas ainda assim, parecidos demais. Essa não pode ser uma conexão comum, é algo especial, para além vida.

“Boa Noite, Mamãe” é um filme que pode sim, causar um mal-estar em alguns espectadores, e mais do que isso: é um filme provocador, e uma vez dentro dele, é impossível resistir a essa provocação.

Sinopse
Dois irmãos gêmeos mudam para uma nova casa com a mãe deles após o rosto dela mudar devido uma cirurgia plástica. Mas por baixo dos curativos que a mãe usa, está alguém que eles não reconhecem mais!

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Nathália Oliveira
Parte cineasta, parte bailarina e parte roteirista, Nathália Oliveira gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Formada em Cinema pela PUC-Rio, ela trabalha atualmente como redatora publicitária na Rede Telecine e roteirista de projetos independentes. Ao longo de sua formação acadêmica fez curtas universitários e clipes musicais como assistente de direção, assistente de produção, assistente de fotografia, conselheira e animadora de equipe. Trabalhou durante 6 meses como voluntária no projeto social CriAtivos organizando um cineclube para crianças. Isso tudo sem deixar de frequentar as aulas de ballet e jazz. Apaixonada por cinema brasileiro, esta é sua primeira colaboração para um site cultural. Nathália acredita que todo filme merece ser visto e vai tentar te convencer disso.

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