Uma ideia pode mudar o mundo. Nada mais clichê, mas se temos a ideia ela, sim, pode transformar um local ou as pessoas. Conceitos são propostas que definem ou direcionam o caminho a ser seguido. Podem nos dar uma representação mental de algo abstrato. De nos colocar uma rede de ideias para orientar o que estamos vendo ou o que desejamos.

Por exemplo, uma pipa voada acabou de ser cortada e está solta no ar. Como pegar ela? Que caminhos devemos fazer para capturar aquilo que desejamos e configurar em algo concreto. As ideias são pipas voadas que nos perdem se não agarramos o mais rápido possível.

Se as ideias partem da possibilidade de se tentar algo, a vontade que temos nos coloca ao Devir (Deleuziano) de ter a ideia. O ‘querer determinada coisa’ nos faz ter afecto sobre ela, como se pudéssemos nos aproximar do que é imaterial. Nesse nosso caso o conceito.

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Von Tjong – Absolute Van Gogh

Como Deleuze coloca em sua ideia sobre o Devir, devemos perceber o processo de aproximação sobre determinado conceito. Se somos pipa, temos a vida como um voo eterno e em constante Devir (vontade, afecto…). Ser Devir-Pipa ou em permanente vontade de voo. Nisso, a ideia de sermos Devir-Pipa nada mais é que vir a ser a imaterialidade da vontade de voo. Conceitos como esse tende a materializar aquilo que realmente somos ou queremos.

O mundo é feito de ideias.

Um conceito pode sim ser transmitido através das pessoas, ser as pessoas ou objetos que transformam todo um segmento (sistema).

Se tratarmos das mudanças mais gerais do mundo como a abolição das escravatura ou da criação do muro de Berlim, tudo partiu de uma ideia que foi concretizada em um conceito para assim afectar as pessoas que fazem parte daquele contexto.

Na história da arte encontramos conceitos que foram propagados e que se tornaram obsoletos com o passar do tempo. Alguns estão corretos e outros nem tanto.

Um desses conceitos parte das esculturas gregas nas quais tínhamos a ideia que elas eram puramente brancas. Na verdade descobriu-se que as esculturas são coloridas tanto as gregas quanto as romanas. A ideia era de representar as peças da maneira mais real possível.

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Felizmente, propagamos em nosso imaginário que as esculturas são brancas e isso afetou a arte durante o Renascimento. Em tal grau que as esculturas dessa época são brancas e sem pintura.

Esse seria o problema dos conceitos, eles tendem a querer concretizar algo sem ter espaço para todas as redes que ele conecta.

Ao carregarmos uma ideia como verdadeira achamos que está tudo pronto e que nada pode ir além daquilo. Daí vem a questão, o problema não está na ideia e sim, em nós. Nós é que transformamos ela em algo único e com um discurso autoritário, por vezes fascista. Colocamos aquela ideia como algo verdadeiro sem perceber que existem outras e que elas todas se misturam numa grande rede conceitual. Nada é simples e não devemos ser pragmáticos quando discutimos ideias e conceitos.

Tudo se mistura.

Devemos perceber que as ideias são boas mas ao mesmo tempo perigosas. Sempre ter o cuidado ao direcionar tal conceito e seu discurso ao outro. Pipas voadas (conceitos, ideias) são muitas o problema está em como capturar, aparar e manter no alto para transformar o mundo.

 

 

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Aldene Rocha
Nascido como um artista bastardo e um eterno aprendiz, se formou em belas artes por uma paixão de menino e seguiu levando ela até o além. Desenvolve trabalhos artísticos em diferentes mídias como vídeo, modificações em jogos eletrônicos, fotografias, instalações e intervenções urbanas. Participou de exposições coletivas e foca a sua pesquisa nas novas mídias aliada à teoria do cinema, na fotografia e na arte contemporânea. Mesmo não parecendo, curte uma praia e joga videogame nas horas vagas.

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