É engraçado o processo de definir um tema para um post e de fato escrevê-lo. Acho que o nome que resolvi dar a este espaço foi até bem assertivo. Aqui acaba sendo um local em que muitos rabiscos de meus cadernos de reunião ganham forma. Aqueles que ficam no rodapé, na lateral ou no topo, mas sempre fora da pauta. Isso porque os pensamentos não tem pauta. Um pensamento aparece a hora que ele quiser e é aí que se precisa fazer uma cópia dele no papel antes que algo te distraia e você o perca. Quantas vezes não perdemos uma ideia? É quase como se as ideias tivessem vida própria.
Este post vai iniciar uma coleção de posts “filhos dos rabiscos de um caderno específico”. Um que levei para minha primeira visita a uma ecovila, onde reconheci muitas denotações de conotações que estavam perdidas na minha cabeça. Sem conexões internéticas com o mundo, mergulhei em conceitos e estufados de formas diferentes de organizar pessoas, processos, trabalho e vida. A sensação com que saí de lá foi só uma: existe uma galera apostando e realizando uma outra sociedade, baseada no compartilhamento de poder, no consenso, nas relações horizontais e colaborativas permeadas por amor e respeito.
Foram muitos assuntos abordados nos três dias de imersão intensa que passei, mas vou focar aqui em algo bem prático e ao longo de outros posts vou abordando os temas à medida que aprofundar os estudos também.
Queria trazer aqui 2 exemplos de dinâmicas que ajudam a tratar assuntos de forma coletiva e participativa. Muitos de nós produzimos congressos, palestras, debates, reuniões com várias pessoas, mas o que acontece no final é que uma ou um pequeno grupo acaba dominando as discussões e direcionado o resultado final. Isso pode acontecer pela natural característica da pessoa de ser mais extrovertida ou mesmo por uma intenção em direcionar conclusões. Existem dinâmicas para incluir as pessoas e suas ideias, compartilhando de forma mais igualitária o poder de fala. Vamos lá?
Open Space Technology
É um formato autogestionado no qual todos os participantes podem ser propositores de uma agenda de debates em vez de se ter uma agenda predefinida. Pense no caso de um evento ou imersão de planejamento estratégico.  De maneira simples o participante escreve um tema no quadro que gostaria que fosse debatido. Após todos fazerem o mesmo, olha-se para o quadro montado no intuito de agregar temas comuns. Cada tema vira um grupo focal e ganha um local e um período de tempo para acontecer, tendo o propositor do tema como facilitador do mesmo. A partir de então as pessoas se inscrevem para participar dos temas que lhes interessam e iniciam-se as discussões. Com exceção do facilitador, todos os participantes tem liberdade para se mover para outras discussões a hora que desejarem, desde de que ao estar numa mesa, esteja 100% engajado. O facilitador funciona não como um líder, mas como um mediador e como relator de pontos importantes discutidos nas mesas.
openspace
Ao final os facilitadores expõe os pontos debatidos e juntamente com o grupo chegam a um documento final que vai ser posto em ação. É importante observar alguns princípios básicos dessa metodologia:
  • Quem quer que participe da mesa é a pessoa certa;
  • Quando começar é a hora certa;
  • O que quer que aconteça é a única coisa que poderia ter acontecido;
  • Quando acabar, acabou.
Autor: Harisson Owen
World Cafe
Essa metodologia lembra o Open Space, mas normalmente gira em torno de uma mesma questão. A partir dela as pessoas se organizam em pequenas mesas de debate para discutir o mesmo assunto por determinado tempo. Ao término do tempo todas as pessoas, com exceção do facilitador/relator, se encaminham para novas mesas, formando novos grupos. Após algumas rodadas os facilitadores expõe de forma visual o overview do que todos discutiram.
Autores: Juanita Brown e David Isaacs
Picture+2040
Ambas metodologias buscam provocar certo caos ordenado às discussões, bagunçando com o que conhecemos como organização de debates e criando um ambiente propício para que soluções, ideias e direcionamentos possam emergir naturalmente do grupo. Em ambientes altamente controlados, sobra pouco espaço para a criatividade, para pensar fora da caixa, desafio que temos que nos colocar todos os dias para que possamos avançar mais e melhor.
Fica a dica!
Inté!
Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

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