O meu primeiro comentário sobre a capital européia é sempre o mesmo: um país onde as comidas típicas são chocolate, batatas fritas, waffle e cerveja. Só pode ser bom!  Bruxelas é considerada por muitos demasiado cinza, eu particularmente, a considero uma cidade de mil cores: ainda que a chuva insista em ser presença quase que constante, os detalhes, a arquitetura e as tradições locais a deixaram no topo da minha lista de cidades favoritas.

Destaco como meus pontos turísticos favoritos: o Parlamento Europeu, a catedral de st michael e st gudula que é uma igreja bem impressionante e, onde comecei a ver os pontos que distinguem a arquitetura dos flandres do restante da europa. O menininho fazendo pipi também é um dos pontos principais da cidade, e reza a lenda que ele era usado como maneira de afetar os adversários nas disputas políticas: robava-se o manneken pis para provar poder, ou provocar instabilidade no inimigo. Depois de anos sendo roubado e levado de cima a baixo, incluso pelos bêbados, o manneken ganhou descanso e foi para um museu especialmente feito para ele e suas 800 (!!!) peças de roupa e onde ficava o original foi substituído por uma réplica.

Mas, a cada dia vêm alguém da adminstração pública e muda a sua roupa e é como, guardada as proporções, a troca de guarda de Buckingham. Um séquito de turistas tirando foto de uma senhorinha mudando a roupa de uma estátua de pouco mais de 30 centímetros. Uma curiosidade é que o “Manequinho” a estátua do mascote que está  em frente a sede do Botafogo (Dá-lhe F

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ogão!) é uma réplica da fonte belga. A praça da prefeitura é outra parada obrigatória! O centro histórico guarda diversos museus, entre eles um de arqueologia que me chamou atenção pelo acervo de peças pré-históricas e o museu que conta a história da cidade, esses sempre são mais específicos e contam com histórias locais e são ótimas oportunidades de conhecer melhor a cidade e seus antecedentes, o Maison du Roi é perfeito pra isso.

O atomium é outro ponto famoso de Bruxelas, eu não consegui entrar pela fila, e confesso que não tive muita vontade, o resto da cidade por si só já foi bem impressionante.  Outra parada que não se pode perder é o bar da Delirium. A marca de cerveja tem seu próprio estabelecimento na capital belga, que conta com sete andares entre palco, mesas, bares mais de cem tipos de cerveja. É uma loucura para os amantes da loura! Lá elas podem ser morenas, mulates, azuis, verdes e cor de rosa. É uma experiência indispensável para quem ama o suco de cevada e para quem não é fã também. A cerveja de maçã e de cereja foram as minhas favoritas e mais inusitadas no tópico sabor.10425153_907682292591997_8947370916101579103_n

Uma vez estando em Bruxelas, fica bem fácil deslocar-se até Bruges de trem. A cidade é a mais charmosa do mundo! É conhecida como a “Veneza do Norte” pela quantidade de canais que cruzam suas ruas. Quando estive ali, foi na época do Mercado do Papai Noel, onde as ruas são tomadas por barraquinhas de artesanato e comida típica e a clássica pista de gelo presente em todas as praças das grandes cidades do velho mundo. Apaixonante a arquitetura das casas, todas de tijolinhos vermelhos e os moinhos em cima de qualquer monte. Parece uma cidade de conto de fadas e a visita é mais que recomendada. Ainda que a viagem de trem não seja tão rápida, por tratar-se de uma cidade pequena, é possível visitá-la em um dia. Foi em Brugues que tive acesso a um dos materiais mais interessantes de gestão cultural: um guia feito pelo governo federal com programações para os 365 dias do ano! Uma revista que é quase um livro, que eu faço questão de guardar, com dicas de atividades ao ar livre, e pontos turísticos em todo território nacional. Organizado por áreas de interesse e idade do público alvo: mais acessível impossível! E, são edições anuais com informações bem completas enquanto serviço.

Na minha primeira visita a Bélgica já tinha ficado apaixonada por tudo que tinha visto e experimentado por lá, todavia, na segunda visita, fiquei realmente impressionada com a forte presença do Brasil pelas bandas de lá. Ok, que ano de Copa em casa, pulverizou nosso tico tico no fubá pelo mundo e talvez essa seja uma possível explicação. Mas, foi realmente impressionante ao entrar No Bar da Delirium encontrar com uma banda tocando “Tô com saudade de Jackson do Pandeiro, tô com saudade que é coisa de brasileiro”.

E, o Clube do Balanço não foi o único a marcar presença na minha viagem. Estava também em cartaz uma exposição chamada “Viva o Brasil”, sobre os imigrantes belgas que foram para o Norte das terras tupiniquins, que contava com documentos sobre a imigração, fotos e histórias de como os primeiros belgas chegaram por Natal e arredores. Para completar, dentro do festival de dança de Bruxelas, a programação contemplou muitos grupos brasileiros de dança. O que me fez morrer da tal saudade, coisa de brasileiro, ao chegar na praça da prefeitura e ver brasileiras falando o francês local, com flores no cabelo, dançando entre os prédios históricos e mais velhos que a nossa casa, o bom e velho samba. As batatas fritas ganharam tempero, o chocolate mais cacau e um pouco de pimenta. E, a cerveja belga…. Ah, ela ficou mais brasileira.

fotos: acervo pessoal.

Annanda Galvão
Annanda Galvão Ferreira da Silva têm quase tantas profissões quanto sobrenomes: designer de moda pelo SENAI/Cetiqt, Produtora Cultural pela Universidade Federal Fluminense. Cursou Gestão Cultural na Universidade Lusófona de Lisboa e foi investigadora pelo CNPQ-Pibic na Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) em Políticas Culturais, sendo seu artigo “A visão do Conselho Federal de Cultura sobre as artes popular e erudita” premiado na V jornada de iniciação científica da FCRB e também pela Gerência de Cultura da Escola Sesc de Ensino Médio (2012). Mestre pela Universitat de Barcelona onde cursou o mestrado “Construção e Representação de Identidades Culturais”. Atualmente é aluna do programa de doutorado em Estudios Migratorios da Universidad de Granada, onde continua estudando as migrações a luz das políticas culturais. Tendo atuado em diversas áreas da produção e gestão cultural, realizou instância de colaboração no departamento de conteúdo do teatro do governo espanhol e catalão Mercat de les Flors, tendo coordenado o projeto "Trocas - formació i dansa" de intercâmbio entre entidades espanholas e brasileiras, foi também colaboradora e palestrante do IPAM - International Performes Arts Meeting que acontece dentro do Festival Grec em Barcelona. É professora de elaboração de projetos culturais do curso de formação de agentes culturais dentro do Programa Favela Criativa da Sec-rj gestionado pelo Cieds. É idealizadora de projetos nas áreas de cinema, arquitetura e educação. Apaixonada por viagens, carimbos no passaporte, museus, livros e pessoas , é curiosa por natureza e espera mostrar um pouquinho do que têm visto mundo a fora para os leitores do TagCultural.

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