Aventureiros de primeira viagem e mochileiros mais desavisados acabam gastando mais do que devem na sua Eurotrip por não saberem detalhes e não pesquisarem bem antes de montar o roteiro, ou mesmo porque certas coisas a gente só descobre mesmo quando “chega lá”, seja onde for esse “lá”.

Toda vez que um amigo me visita onde eu estou morando, já tenho mais ou menos um email preparado com as dicas pra salvar aquele dinheirinho ou pra aproveitar melhor os cantinhos não tão conhecidos da cidade. Barcelona foi a cidade que passei mais tempo nos últimos anos, mas tenho esse email “salvador” de Lisboa e Paris também.

A economia pode começar já no câmbio de Real para Euro. Atualmente a opção que eu achei mais barata, foi trocar no Banco do Brasil, do qual eu sou correntista e ainda que eles cobrem uma taxa de R$60, eles oferecem o melhor câmbio, que “diluindo” esse valor na quantidade que vai ser trocada, sai bem mais barato que trocar em casas de câmbio ou agências. Também sempre rola perguntar se algum amigo têm algum euro que sobrou da última viagem, comprando de amigos se economiza a taxa e o amigo também sai ganhando.descarga

De todas as experiências de viagem uma coisa que aprendi é que sempre, sempre mesmo, se pode pagar mais barato e que brasileiro (e digo isso sem querer parecer preconceituosa, senão me incluindo e aos meus costumes – deveria dizer os brasileiros que eu conheço?) tem uns hábitos que são mesmo muito caros, ainda mais se pago em euros. Uma das coisas que meus amigos europeus sempre implicam comigo é minha mania de pegar táxi. Principalmente depois de festas ou se vou com muito peso, isso pra eles é simplesmente absurdo, fora a obsessão deles por caminhar, tenho que admitir que realmente no fim do mês dá bastante diferença. Se pensamos que 8km de táxi em Barcelona – sem trânsito – podem custar 6 euros, que seria algo em torno de 20 reais, o que já é muito e mais ainda se considerarmos que com 6 euros você paga metade da sua alimentação da semana, fazendo compras no mercado. Uma coisa que faz muita diferença é desde que se chega no país, podemos fazer escolhas mais econômicas, o próprio ônibus ou trem que sempre tem para levar do aeroporto ao centro da cidade é sempre a melhor opção, minha dica é que se viaja muito carregado de malas, que use o ônibus para chegar ao centro e depois no centro pegar um táxi até seu hotel, a diferença e economia são muito boas. Esse foi um hábito que tive que mudar tanto morando fora quanto nas minhas viagens e meu bolso agradece.

Outra dica é informar-se se na cidade que você vai visitar têm desconto na compra do ticket de transporte público para estudante, para jovens ou para professor. E, se há que documento acreditativo você deve levar. Sei que muitos parques, museus, hotéis e outros estabelecimentos aceitam somente a carteira de estudante internacional (que você pode fazer em uma agência de turismo ou intercâmbio) mas muitos aceitam a brasileira sem problemas.

O metrô de Paris, por exemplo, têm uma opção de bilhete de metrô para jovem no fim de semana e é muito mais barato.  Professores também têm muitos descontos em livrarias. No museu do Prado em Madrid, por exemplo, a entrada é gratuita. Ou seja, pergunte SEMPRE que descontos existem. A rede de trens da europa têm muitos descontos para menores de 25 anos, na Espanha a Renfe (cia. ferroviária inter municipal e estadual) aceita a “tarjeta joven” que é um cartão de desconto que se pode fazer nos bancos espanhóis (na Catalunya se faz no banco la caixa e varia de província para província) e dá direito a comprar passagens de trem e aéreas muito mais baratas, além de vir com um bloquinho com descontos ótimos em restaurantes, fast foods e nos museus de toda Espanha. Custa só 6 euros e fica pronto em 48h. Realmente vale muito a pena.

Para vôos internos, a opção mais barata quase sempre é a ryanair, a easyjet e vueling. O aviso que não me deram nunca sobre a ryanair é que ela quase sempre deixa em aeroportos em cidades satélites e que é bem caro pra chegar na cidade destino. Então, antes de se animar com a passagem a 20 euros, tem que olhar onde o avião te deixa e qual o transtorno pra chegar na cidade. A vantagem da easyjet e da vueling ainda que não sejam tão baratas é que te deixam em aeroportos mais centrais e melhor comunicados com o centro da cidade e, por consequência, mais baratos. Essa conta tem que existir pra não comprar gato por lebre. O mesmo em relação ao horário. Não é a toa que os vôos às 6 da manhã são baratos, às vezes não há ônibus e você terá que pegar um táxi: e lá se foi a economia!

Outra maneira de economizar é levar o lanchinho, eu tenho que confessar que sempre tive muita preguiça de preparar com antecedência, mas a diferença é tão grande que vale a pena. Os mercados são muito baratos e fazendo lanche durante o dia, você pode permitir-se o luxo de jantar em um lugar mais bacaninha. Na Epanha existem uns centros de idosos de bairro, onde é possível comer super bem e super barato, vale a tentativa.

Outra dica de ouro são os walking tours, que são visitas pelas ruas da cidade guiadas, geralmente organizadas por hostels da cidade ou mesmo estudantes de turismo que marcam um ponto de encontro e um horário fixo para sair com o grupo de turistas contando as curiosidades da cidade. Geralmente são gratuitos ou no caso dos estudantes de turismo, eles aceitam o que você puder pagar. É uma opção baratíssima e super interessante porque além de poder conversar com alguém da cidade, você aprende as curiosidades e fofocas históricas locais. Com certeza é outra experiência!banner-walk

Em Bologna pude fazer o walking tour e foi incrível! A cidade que ia passar como mais uma cidade bonita italiana, ganhou outra matiz e virou um dos lugares mais interessantes que já visitei. A guia me contou dos 7 segredos de Bologna que são lendas misturadas com fatos históricos que se pode ver pela cidade. Entre esculturas, inscrições sobre cannabis nos azulejos centenários e curiosidades arquitetônicas, conheci uma Bologna cheia de mistério e que nos guia por suas ruas a outro tempo. Quase tão bom quanto isso: foi grátis! Foi só ir até o ponto de encontro e descobrir a cidade.

Outra dica para economizar no alojamento é o couchsurfing, que é uma rede social onde as pessoas pedem e/ou oferecem alojamento, no caso pode ser um sofá ou mesmo têm gente que dispõe de um quarto e recebe até casais. É grátis e uma experiência e tanto! Você pode ver a recomendação da pessoa e os comentários dos hóspedes anteriores. Eu já recebi muita gente em casa e a grande maioria das experiências foram muito positivas. Tenho amigos que viajaram toda a Europa nesse sistema e amaram. Claro, que o cuidado em buscar uma casa onde a pessoa pareça que tenha o seu perfil ajuda muito. É legal oferecer um jantar para quem está te recebendo e assim conhecer ainda mais sobre o lugar e as culturas.

Outra coisa que sempre me ajuda muito é o tripadvisor, além de ter os comentários sobre os hotéis, tem avaliações sobre restaurantes e outras atrações. Blogs de viajantes também são ótimos para sair do arroz com feijão turístico e descobrir cantinhos mais interessantes e menos movimentados. Claro que tem umas economias que a meu ver não compensam e dependendo do horário é mesmo perigoso ir de ônibus ou ir a pé. Ao contrário do que se conta por aí,  é sim perigoso e tem sim muita violência. Eu mesmo vi mais violência morando em Barcelona que minha vida toda no Rio de Janeiro. E, também todo mundo gosta de comer bem, dormir em cama king size e umas comodidades do tipo. Mas, se a economia puder significar que você possa ficar mais tempo ou conhecer mais lugares, sempre vale a pena. No mais: mochila nas costas e bom humor são sempre itens indispensáveis para que a viagem seja boa e bonita. 

 

Annanda Galvão
Annanda Galvão Ferreira da Silva têm quase tantas profissões quanto sobrenomes: designer de moda pelo SENAI/Cetiqt, Produtora Cultural pela Universidade Federal Fluminense. Cursou Gestão Cultural na Universidade Lusófona de Lisboa e foi investigadora pelo CNPQ-Pibic na Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) em Políticas Culturais, sendo seu artigo “A visão do Conselho Federal de Cultura sobre as artes popular e erudita” premiado na V jornada de iniciação científica da FCRB e também pela Gerência de Cultura da Escola Sesc de Ensino Médio (2012). Mestre pela Universitat de Barcelona onde cursou o mestrado “Construção e Representação de Identidades Culturais”. Atualmente é aluna do programa de doutorado em Estudios Migratorios da Universidad de Granada, onde continua estudando as migrações a luz das políticas culturais. Tendo atuado em diversas áreas da produção e gestão cultural, realizou instância de colaboração no departamento de conteúdo do teatro do governo espanhol e catalão Mercat de les Flors, tendo coordenado o projeto "Trocas - formació i dansa" de intercâmbio entre entidades espanholas e brasileiras, foi também colaboradora e palestrante do IPAM - International Performes Arts Meeting que acontece dentro do Festival Grec em Barcelona. É professora de elaboração de projetos culturais do curso de formação de agentes culturais dentro do Programa Favela Criativa da Sec-rj gestionado pelo Cieds. É idealizadora de projetos nas áreas de cinema, arquitetura e educação. Apaixonada por viagens, carimbos no passaporte, museus, livros e pessoas , é curiosa por natureza e espera mostrar um pouquinho do que têm visto mundo a fora para os leitores do TagCultural.

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