Estamos na segunda, e última, semana do Especial Wes Anderson e você já deve ter percebido algumas características peculiares do nosso diretor homenageado, mas tem muito mais que podemos aprender com o querido Wes. Então aqui vão 6 lições de Marketing que Wes Anderson nos ensinou através dos seus filmes.

1) Se for pra contar uma história, faça direito!

A arte de envolver as pessoas com uma história seja ela fictícia (Do Bem, Diletto, Los Paleteros) ou real (Havaianas, Disney, Johnnie Walker), o famoso storytelling, tem sido comum em algumas marcas recentemente. Todos querem ter uma história, afinal, é mais fácil você ouvir, lembrar, sentir algo por uma história do que por uma campanha publicitária.

Quem melhor do que Wes pra contar uma história? O nosso diretor consegue criar atmosferas envolventes e ricas em nuances, como o André lembrou semana passada, até a trilha vira personagem. O que torna uma história real e envolvente são os pequenos detalhes: as cores e texturas nas telas de Anderson; a forma específica como as cenas são filmadas; a roupa dos personagens; o bigode esvoaçante de Mr. Fox, etc.  Capriche, não cite apenas que sua marca nasceu nas fazendas aquáticas da Nova Zelândia, conte o que tinha lá, como era o tempo e insira esses elementos no seu produto ou comunicação. Do que adianta ter uma história se você não a explora?

2) Se for pra ter uma história, tenha um personagem.

Os símbolos são fundamentais para tornar a história “palpável”, reconhecida, real. Se uma história aconteceu, alguém estava presente, realizou a ação. Steve Jobs e Walt Disney eram personagens de suas respectivas marcas e Zero Moustafa e Mr. Fox eram os de Grand Budapest Hotel e Fantastic Mr. Fox, respectivamente.

Se para o público externo esses personagens devem ser identificados e comunicados, para o público interno eles devem ser atingíveis, realistas, humanos. Quantos donos de empresa se distanciam dos seus colaboradores? Mas se são eles que representam a empresa que esses funcionários trabalham e carregam toda a história, encantamento e diretrizes, porque torná-lo inalcançável? Na prática só afasta os funcionários dos reais valores da empresa.

Wes nos ensina que se você quer que algo saia perfeito e que as pessoas que trabalham com você “comprem sua ideia” e façam o melhor trabalho do mundo. Não afaste, aproxime.

“Durante as filmagens de O Grande Hotel Budapeste, equipe e elenco ficaram hospedados no mesmo hotel em Görlitz, na Alemanha, onde as cenas foram rodadas. O diretor trouxe um chef, e todos tomavam café e jantavam juntos – Anderson odeia a cultura dos camarins individuais, em que cada pessoa se tranca no seu e não interage com os outros. “É o mundo encantado de Wes Anderson”, descreve o ator Jeff Goldblum, que trabalhou com o diretor pela segunda vez. O clima de camaradagem não significa moleza. Para criar seus universos fantásticos, tudo precisa seguir à risca. “Ele percebe se você deixa de falar o artigo ‘o’ em um diálogo longo”, conta Goldblum.”¹

Os personagens são apenas os donos da empresa? Definitivamente não. Claro que todos conhecem alguém que se orgulha de falar que conhece o dono do pequeno restaurante, na última cidade sem internet da Tailândia e que você precisa ir lá. Mas quem representa sua empresa?

3) Ouça! Principalmente seus consumidores.

The Grand Budapest Hotel começa a história com a seguinte frase:

“Quando descobrem que você é escritor, trazem personagens e eventos até você, e se você mantiver a habilidade de observar e ouvir com atenção, as histórias vão continuar a procurá-lo a vida inteira.”

O ser humano gosta de falar, mas não sob pressão. Minha mãe toda vez que vai fazer check in no voo, conta todas as boas e péssimas experiências dela com a American Airlines. Não vai ser em um questionário de pesquisa que você vai saber o que realmente alguém pensa sobre sua marca. Incentive seus funcionários a repassarem as informações de descontentamento e elogios, principalmente as reclamações de clientes insatisfeitos. Treine-os para tal.

4) Paixão.

Quando Monsieur Gustave entrevista Zero para o cargo de Lobby Boy, sua resposta é excelente, ele quer estar ali pela reputação do hotel, mesmo que em um cargo pequeno.

Uma empresa querer despertar a paixão de seus consumidores pela marca, torná-los brand advocates, não é nenhuma novidade, mas e os funcionários? Seus funcionários possuem paixão pela empresa, pelo local que trabalham ou estão ali pelo dinheiro? Já entrei em empresa por paixão e sai por decepção. Sua empresa faz alguma coisa por esses funcionários para que eles tenham mais do que vontade de trabalhar ali, mas orgulho? Uma pessoa passa 1/3 do dia trabalhando, ele no mínimo, precisa gostar de onde está. Porque não ajudar? Já disse, gente feliz é mais produtiva.

5) Não seja um babaca, seja um líder.

Essa dica é mais batida que clara em neves, mas precisa ser repetida um milhão de vezes em todas as listas de “dicas de marketing ou empreendedorismo”. Um líder é alguém que inspira, está junto, que a pessoa sabe que está ali para ajudar a resolver os problemas da empresa e pelo bem da empresa. Que vai lhe ajudar a crescer, dar espaço para você mostrar serviço, fazer críticas construtivas e vai ensinar a seguir o caminho certo em vez de apontar o dedo na sua cara e falar que você só faz errado. Um líder confia na sua equipe.

Um babaca é o chefe que só manda, checa tarefas e horários. O imbecil não ouve e não vê sua equipe se desestimular na frente do seu nariz. Não sabe receber críticas, não briga pelo seu time, e não assume a responsabilidade de chefe quando algo dá errado na sua equipe.

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6) Planejamento não é tudo, mas é quase.

Quantas coisas você pensa em fazer e não faz? Você sabe como fazer, quando fazer, porque fazer, mas simplesmente não faz. As listas de final/início de ano são ótimos exemplos, ou a academia da segunda-feira que nunca chega. A parte mais difícil de qualquer plano é a execução. Não basta planejar as melhores ações e campanhas e deixar tudo no papel. Também não adianta fazer pela metade. O planejamento precisa vir junto com a dedicação e força de vontade de fazer as coisas acontecerem. Empenhe-se nessa parte, não perca o fôlego.

¹http://veja.abril.com.br/noticia/entretenimento/o-universo-particular-do-cineasta-wes-anderson/

Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

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