Não sei muito sobre Gestão Cultural. Após algumas muitas horas de reflexão sobre qual seria o meu primeiro texto, resolvi começar com uma frase de impacto. Pelo menos atenção eu já chamaria.   Mas a verdade é que senti necessidade de compartilhar o que tenho pensado para esse espaço. E por que alguém que se pretende escrever sobre um assunto começaria dizendo que não sabe sobre o próprio assunto? Bom, garanto que não é só para chamar atenção, apenas confundir para explicar com diz nosso caro Tom Zé.  Eu poderia começar supervalorizando a minha experiência no campo da gestão cultural, ligar ela com o que me fez estar aqui escrevendo sobre esse assunto e despejar um monte de termos técnicos que fariam uma aparente imagem minha como um especialista. Só que não. Primeiro não tenho, ou ainda não despertou em mim, a vontade de ser especialista em coisa alguma, mas isso é um papo para um outro momento.

O que me faz escrever aqui não é o que eu sei, mas é o que eu quero saber, é o que eu gosto de saber e o fato de buscar fazer sempre o que eu gosto. Sim, trabalho com gestão cultural e acredito que tenha sido esse o motivo pelo qual recebi o convite, mas não foi esse o motivo pelo qual o aceitei. O que me fez aceitar foi o desejo de querer investigar o tema. Por isso, se você procura aqui respostas prontas, poupe seu tempo, clique naquele campo no topo do seu navegador, dê CTRL+C e CTRL+V na seguinte frase: os 10 passos para ser um bom gestor cultural e aperte ENTER. Sei lá o que você vai encontrar, mas imagino que seja diferente da minha proposta aqui. Quem sabe até existam esses 10 passos, mas isso não quer dizer que eles irão te transformar em um bom gestor. Bem, pelo menos você vai parecer inteligente para quem não entende nada do assunto e nesse meio grande parte das pessoas não sabem muito sobre o assunto. Sem entrar em juízo de valor ou desmerecer ninguém, mas o campo da Gestão Cultural, enquanto conceito, é novo e por isso mesmo comecei já me incluindo no grupo dos que não sabem. A bem verdade é que o campo da produção e gestão cultural ainda é recente na academia e no mercado de trabalho formal. Existem relativamente poucos trabalhos acadêmicos e conhecimentos investigados nessas áreas pelas universidades do Brasil. Claro que é possível encontrar ótimos livros e artigos publicados, mas comparativamente a outros campos do conhecimento nós somos os caçulas. Como campo de trabalho, a profissão do produtor e do gestor existe há algum tempo (posso passar por essa história também em outro post). Mas falo sobre o reconhecimento e valorização formal, e informal, dessas profissões.

Sendo assim, você vai encontrar aqui um processo e não um produto, perguntas e não respostas, ensaios e não estreias. Quero saber mais e quero que venha comigo quem tenha conseguido aturar o blábláblá até aqui. Vai ser bem mais interessante para tod@s se a gente puder interagir nesse percurso, discordar, complementar, relacionar, discutir… Tudo isso para dizer: comentem, se não quiserem comentar aqui, por qualquer motivo, mandem email que eu garanto a discrição.   A diferença de opiniões e os múltiplos pontos de vista, são os que nos ajudam a construir conhecimento, que no fundo é exatamente o que pretendo com esse espaço. Outro desejo que trago para cá é o de investigar, por tanto proponham temas e, dependendo, vou atrás de mais informações em publicações e pessoas para compartilhar aqui.

Provavelmente escreverei coisas óbvias, mas o óbvio acaba tornando-se invisível justamente por ser óbvio. As vezes é necessário lembrar dele. Gosto do óbvio pela complexidade contida na simplicidade que o faz ser óbvio. Também é possível que  aborde temas que não tem uma relação óbvia e direta com o campo da cultura e das artes, mas vou me esforçar para me fazer entender. Para ser o mais claro possível, este é um experimento em andamento.

Algumas coisas sobre o formato: como podem notar, o tom será informal, porque é bem mais humano e, afinal de contas, estamos na internet. Algumas tags que devem surgir por aqui: Produção Cultural, Gestão, Captação de Recursos, Cultura,  Criatividade, Mediação, Inteligência Emocional, Problem Solving, Inovação, Cultura Digital, Comunicação… Esses são alguns temas que gostaria de investigar e relacionar ao campo da Gestão Cultural, mas a coluna vai se formando durante o processo.

Convite feito e trabalhos abertos.

Nos lemos na próxima!

Thiago Saldanha
Uma pessoa em processo. Todos os dias acordo com fome por informação e tento absorver o máximo que posso. Sinto-me um eterno aprendiz. Estou aproximadamente conectado 85% das horas em que estou acordado e pretendo equalizar ainda mais essa conta entre real e virtual... é preciso equilíbrio nessa vida. Na verdade sou meio fissurado por tecnologias e redes digitais, tanto que comprei meu primeiro celular ainda moleque, economizando dinheiro do lanche e da passagem, enquanto minha mãe achava o Teletrim um máximo. Falando em mãe, ela foi quem me levou para assistir a primeira programação cultural que tenho memória, um teatrinho infantil perto de casa. Anos depois, eu quem estava naquele mesmo palco. Mais um pouco e saí do palco, fui para a coxia e para a técnica. Na sequência a coordenação de palco, a produção e agora a gestão, mas não mais naquele palco e não mais com Teatro, mais ainda na cultura. Sou do mato, do mar e do ar. Meio viciado em adrenalina. Adoro cafés e cerveja. Sagitariano com ascendente em escorpião e quero mais sempre, não que isso signifique que quero muitas coisas. Como há escrito em alguns muros de algumas cidades: as melhores coisas da vida, não são coisas.

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