Especialmente essa semana não assisti um espetáculo para escrever sobre ele. Conferi o ensaio geral do A Very Potter Musical – Exercício em Cena, invadi o mundo potteriano deles e consegui algumas aulas de Feitiço Conta as Artes das Trevas com a Diretora Maíra Guarrido em uma entrevista que você confere logo abaixo.

A Very Potter Musical – Exercício Em Cena” é uma experiência acadêmica realizada por estudantes de universidades públicas federais do RJ e a estreia é amanhã, dia 26 de julho, às 19h.

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Hikari: Harry Potter no teatro é como trazer Hogwarts para cena, perto da gente. Não tão distante e magnânimo como no cinema, mais real e palpável no teatro. Qual é a expectativa de vocês acessarem esse lugar tão latente nas gerações de fãs de Harry Potter?

Maíra: Acredito que temos uma vantagem nesse sentido considerando que a peça é uma sátira. Isso nos permite acessar memórias muito específicas dentro do universo Harry Potter sem perder a fidelidade com a saga. Um exemplo disso é o exagero das principais características dos personagens dentro da peça (Rony sempre com fome, Hermione hiper falante, Snape excessivamente frio, Dumbledore completamente excêntrico) o que, na minha opinião, é capaz de gerar uma identificação do público com a peça – principalmente os fãs dos livros – ainda maior do que com os filmes.

H: Os projetos musicais na UNIRIO, bem como no meio comercial, têm se tornado cada vez mais recorrente, uma linguagem em processo de crescimento e amadurecimento. Como vocês se enxergam nessa trajetória, fazendo parte da evolução? Conte-nos os maiores desafios encontrados nessa jornada (horários de ensaio, ensaio com banda, escolha do elenco, encenação de um mundo fantástico…)

M: Eu enxergo isso como uma excelente oportunidade, apesar de ser uma grande responsabilidade. Me explico: oportunidade de crescimento e amadurecimento profissional uma vez que estamos sendo orientados por Rubens Lima Jr. (o responsável pelo projeto de pesquisa em teatro musicado da UNIRIO) o que por si só já gera uma grande responsabilidade, pois a tendência é que as pessoas esperem o mesmo nível de qualidade de espetáculo.
Eu me enxergo enquanto aluna. Encarei esse processo desde o início como sendo um processo didático tanto pra mim quanto pra todos os envolvidos. Estou tentando absorver tudo que posso de cada pessoa que tenha algo a me acrescentar!
Acho que um dos maiores desafios para o meu trabalho foi definir a formação de banda ideal para conseguir transportar o universo sonoro de Harry Potter (facilmente reconhecido pelos fãs) para o palco num estilo pop, rock. Mas confesso que foi no mínimo divertido tentar imaginar os principais temas tocados por instrumentos como guitarra, baixo, dando um tom mais contemporâneo para os arranjos. Espero que as pessoas curtam o que eu e Gabriela fizemos com a parte musical.

H: A paródia própria do espetáculo mescla partes de vários livros livros da saga. Subverte várias leituras específicas de cada personagem bem defendido pela J. K. Rowling. Como foi lidar com um mundo tão específico e conhecido de uma forma leve, despretensiosa e sarcástica? Como foi lidar com humor e o tanto de amor envolvido por essa saga?

M: Eu já li a saga tantas vezes que é realmente como se eu já me sentisse intima dos personagens a ponto de conseguir imaginar outros desfechos para as suas histórias, ou outras formas de relação entre eles. Confesso que essa peça move muitos afetos em mim e eu me sinto quase participante da construção dessas histórias porque algumas alterações me parecem tão obvias que eu não sei como não tinha interpretado dessa forma quando li.

H: A escolha do elenco deve ter sido um misto de ansiedade e nervosismo. Ainda sendo um musical, ocorrem várias etapas para cada área de atuação (dança, música, interpretação). Relate o processo seletivo do elenco, os pré-requisitos da equipe técnica para cada personagem, os testes surpreendentes; os pontos de destaque pré-espetáculo.

M: Por sermos orientados pelo Rubens, nós tínhamos um pré-requisito de que todos os escalados para o elenco deveriam ser estudantes de faculdades federais. Nós recebemos mais de 1.000 inscrições para os testes (entre crianças, idosos, pessoas de outros estados), mas tivemos que garimpar pelos matriculados em federais e testamos um pouco mais de 70 pessoas. Tivemos dois dias de testes na primeira etapa onde no primeiro dia aconteceu o teste de canto e harmonia vocal e no segundo dia o teste de cena e dança. Depois disso nos juntamos, Julio, Arthur e eu, pra definir os que tinham passado para a segunda etapa – onde os atores teriam que cantar a música do personagem sugerido por nós e fazer uma cena do texto também indicada por nós. Mesmo depois disso tudo ainda não tínhamos encontrado os atores para alguns personagens (Voldemort, Snape, Quirrel) então tivemos mais alguns dias de testes com atores que convidamos para testar para esses personagens específicos.
Nosso elenco conta com 18 atores.

H: Harry Potter, na sua essência, não é um musical. No entanto, o mundo mágico de Hogwarts tem tanta informação sonora que uma peça musical contempla esses espaços afetivos do fã que reconhece. Qual foi o efeito da entrada musical que permeia a peça?

M: O espetáculo tem músicas compostas pelo próprio Darren Chriss (que interpreta o Harry na peça original) e também colocamos algumas surpresas na trilha para o público fã dos filmes!

H: As músicas do espetáculo devem ter sido exaustivamente trabalhadas. Não são simples e fáceis, mas são empolgantes e envolventes. Como foi o trabalho das cenas com a banda?

M: A música de abertura principalmente precisou ser muito bem trabalhada entre elenco e banda pois é um número de 10 minutos de duração que intercala cenas faladas e cantadas e números de dança. Para que ela acontecesse com precisão nós tivemos que marcar inúmeros ensaios de elenco com banda – sempre dentro da UNIRIO.

H: Agora é a reta final. Uma correria, muitas coisas não vistas tendo que ser minuciosamente trabalhadas para não comprometer outros momentos tão amarrados e encaixados. Ensaio com banda, figurinos impecáveis, objetos cênicos no lugar, afinação dos refletores, lidar com humor dos mais ansiosos, daqueles vaidosos, ou até de algo que quebrou no meio caminho. As últimas semanas devem ter sido difícies. Qual é a conclusão afetiva da equipe técnica desse processo de meses de ensaio?

M: Eu amo esse projeto. Todo e qualquer percalço já ficou pra trás. Agora é só a certeza de que vai ser totalmente irado!

 

Serviço

Horário: 19h30, Domingo às 19h
Temporada: 25, 26, 29 e 30 de Julho
Local: Teatro Vera Janacopulos
Endereço: Av. Pasteur, 296, Urca – RJ (Reitoria da UNIRIO)
Classificação indicativa: 07 anos
Entrada franca, senhas 1h antes

Hikari Amada
Hikari tem uma certeza na vida: teatro. Ele se apresenta não como um hobby, um desejo, uma carreira; é um dogma. Canceriana camuflada de maquaigem aquariana e sabor agridoce de leão tem mania de transformar tudo em poesia sarcástica, mas sempre com uma boa dose de impacto (lê-se drama). Integrou as cias. Trupe do Experimento e Sociedade das Artes. Já fez teatro infantil, adulto, musical e deu pinta em novela. Atriz formada na Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena, estuda Produção Cultural na Universidade Federal Fluminense (UFF) e trabalha no Centro Cultural da Justiça Federal. Assim que finalizar a formação de ensino superior, pretende expandir os horizontes teatrais, espirituais e filosóficos.

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