Leonardo DiCaprio tinha apenas 20 anos de idade e três de carreira quando recebeu sua primeira indicação ao Oscar®.

Foi na cerimônia de 1994. O ator disputou a estatueta com nomes como Ralph Fiennes e John Malkovich na categoria Melhor Ator Coadjuvante. Quem acabou levando foi Tommy Lee Jones.

Os muitos que acreditam que levar o grande prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas Norte Americana é uma maneira de entrar para a história da sétima arte, saibam que não levar o prêmio também pode te colocar num lugar privilegiado (aliado a excelentes atuações, é claro).

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Essa primeira indicação do Leo DiCaprio (ora, o que é isso, já somos íntimos, né?) foi pelo filme “Gilbert Grape”, de 1993. Nele, o Leo interpreta Arnie, irmão mais novo de uma família bem conturbada.

Arnie sofre de uma deficiência mental grave, e foi diagnosticado por médicos a uma vida de, no máximo, 10 anos. Na fatia de vida do filme, Arnie está prestes a completar 18 e, como ele mesmo diz, é “um milagre” aos olhos da família.

cinema2O filme pode até ser um drama comum, mas tem personagens extraordinários. O grande dilema de Gilbert, protagonista vivido por Johnny Depp, é estar preso em uma cidade de interior sem grandes expectativas de sair, uma vez que precisa exercer um papel paternal na família após a morte do pai. Essa face é explorada especialmente na relação de Gilbert com o irmão Arnie.

A atuação do Leo é algo fora do comum. Não é que ele simplesmente te convence que é um deficiente mental, isso se dá logo nos primeiros minutos do filme, mas ele consegue transmitir a doçura e a inocência de alguém que é puro, apesar das mazelas e de toda a decadência ao seu redor.

Leo em cena em "Gilbert Grape"
Leo em cena em “Gilbert Grape”

É impossível não deixar o olhar preso nele toda vez que está em cena. É uma atuação de resultado simples, mas que provavelmente vem de um trabalho de preparação muito complexo.

Arnie é a única pessoa feliz nesse lugar que está à beira da falência total. Rodeado de desesperança na família, com a mãe obesa e deprimida e as irmãs histéricas, e na cidade, que vê o progresso, cada vez mais próximo, a engolir todos eles sem oportunidade de reagir. E essa felicidade do personagem emociona por se mostrar genuína, graças ao grande Leo!

Eu poderia usar páginas e páginas do seu tempo para falar o quanto esse trabalho do Leo me tocou na primeira vez que assisti, e o quanto ainda me toca, agora que revi para escrever esse texto.

O Oscar® é apenas uma das maneiras de deixar sua marca no cinema (e tem gente que nem assim conseguiu), mas, brincadeiras à parte, talvez você devesse assistir com mais atenção aos filmes que fizeram Leonardo DiCaprio ser indicado ao prêmio. Você pode encontrar coisas, de fato, memoráveis neles.

Olha ele aí, 23 anos depois…com o Oscar® nas mãos, bitch!

 

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Nathália Oliveira
Parte cineasta, parte bailarina e parte roteirista, Nathália Oliveira gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Formada em Cinema pela PUC-Rio, ela trabalha atualmente como redatora publicitária na Rede Telecine e roteirista de projetos independentes. Ao longo de sua formação acadêmica fez curtas universitários e clipes musicais como assistente de direção, assistente de produção, assistente de fotografia, conselheira e animadora de equipe. Trabalhou durante 6 meses como voluntária no projeto social CriAtivos organizando um cineclube para crianças. Isso tudo sem deixar de frequentar as aulas de ballet e jazz. Apaixonada por cinema brasileiro, esta é sua primeira colaboração para um site cultural. Nathália acredita que todo filme merece ser visto e vai tentar te convencer disso.

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