O mundo cibernético é mais que uma realidade. Não podemos descartar a sua existência. O que nos resta é abraçar suas possibilidades. Isso é fato. A televisão, em geral, está mudando sua forma de pensar, produzir e distribuir por causa da internet. Cada vez mais as emissoras adotam o streaming com sua programação on demand. Thank you, Netflix.

Essa última é uma das grandes responsáveis. Depois do streaming pirata, Netflix veio com uma possibilidade de distribuição incluindo a internet como tela exibidora. Além dela, outros serviços passaram a disponibilizar conteúdo de qualidade e original. Amazon, Hulu, Mubi, HBO e até a Globo tem seu serviço streaming. Agora não temos apenas como telas de exibição a TV e o cinema. Temos também a internet, com seus tablets, smartphones e computadores.

Pensando nessa ideia de internet como tela audiovisual, separei dois produtos que justamente utilizam a tecnologia e a internet, não apenas como fonte de conteúdo, mas como personagem central de sua narrativa.

Há centenas de filmes e séries, que desenvolvem suas tramas através das redes sociais. Quem não se lembra do longa Amizade Desfeita? Onde toda sua trama acontecia via Skype. Duas produções me chamaram atenção nesse último ano, não apenas pela trama mas como eles inseriram a tela exibidora da internet como personagem.

Na última semana, fiz binge-watching da série Black Mirror. Para quem não conhece, é uma série que fala sobre tecnologia num futuro não muito distante. O mais interessante da série é como ela aborda a relação das pessoas e delas com a tecnologia. Todas as suas histórias são independentes. Em sua estreia, uma princesa britânica é raptada e é através do youtube que o sequestrador envia seu pedido de resgate. Já na segunda temporada, uma mulher é perseguida por pessoas que gravam suas ações através de seus smartphones.

Outro produto que me chamou a atenção no ano passado foi o documentário Catfish. Filme esse que deu origem ao programa da MTV. Um rapaz começa a trocar cartas com uma menina, que lhe envia desenhos. Com o tempo, ele passa a se envolver com toda a família da menina, através do Facebook. Esse filme, retrata justamente como não se pode confiar na vida online. Um filme que inicialmente não era pra ser um longa, mas que com o tempo e os acontecimentos online levaram os documentaristas a continuarem sua investigação.

Não tem mais volta. O mundo mudou e nossa forma de consumir os produtos audiovisuais também. Seja legal ou pirata. Agora basta às nossas emissoras de televisão acompanhar o ritmo e incluir em sua narrativa essa nova forma de produzir, contar e distribuir seus produtos.

E viva a democratização do conteúdo!

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Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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