“Fame, it’s not your brain, it’s just the flame
That burns your change to keep you insane

(…)

Fame, “Nien! It’s mine!” is just his line
To bind your time, it drives you to, crime.”

BOWIE, David

Uma pausa nos ícones POP, não vou entregar todo o ouro de uma vez só. Essa semana, decidi escrever sobre algo que vem me perseguindo nos últimos meses: as fofocas que ganham vida diante os canais audiovisuais. O que eu quero expor essa semana é justamente a ideia dos 15 minutos de fama. No Brasil, o formato reality show mais conhecido é o Big Brother e derivados, porém o mundo da telerrealidade vai além de ficar preso em uma casa com anônimos que buscam o estrelato e uns milhões a mais em suas contas bancárias. Essa é a parte suja do mundo dos realities.

A música de Bowie não poderia ser melhor para iniciar esse post. Para conferir vá até o final deste texto e aperte o play do vídeo. As verdadeiras estrelas de realities shows não estão em busca de dinheiro, e sim, de fama, e para tê-la farão qualquer coisa. Apresento-vos  alguns casos.

Caso 1: A Diva da Sex Tape

Há uns anos atrás, uma sex tape de uma socialite caiu na rede. Ela ficou famosa, ganhou programa de TV, gravou músicas e desfilou em passarelas da moda. Atualmente, estampa capas de revistas de moda e de fofocas. Surpreendentemente, a sex tape ainda está na rede e é comercializada por uma empresa. Os direitos foram devidamente adquiridos por eles para distribuição. De quem eu estaria falando?

(  ) Paris Hilton

(  ) Kim Kardashian

Ainda não darei a resposta.  Porém acredito que todos sabem de quem estou falando. E tem conexão com um dos nossos próximos casos.

Caso 2: O Gosto discutido

Há uns anos, Daniel Craig durante entrevista, foi perguntado sobre quem ele gostaria de ver como James Bond. Ele indicou o britânico Idris Elba. Há alguns meses atrás, pipocou um boato de que Idris seria o próximo Bond. Pessoas como eu, fã do ator e louca para ver um Bond negro, ficaram felizes. Porém, muita gente foi contra por conta da cor da pele do ator. Bem humorado, Idris respondeu: “Vocês reclamando que eu sou negro, mas o Bond não deveria ser também bonito?” O que gerou comoção geral, pelo fato do bom humor.

Os produtores não descartaram a ideia de tê-lo como Bond em próximos filmes da franquia, porém isso foi apenas um comentário de Craig. E que o próprio Idris o culpa por iniciar toda a história. Conclusão: boatos ganham vida no meio audiovisual. De tanto as pessoas suporem em algo, ele pode concretizar.

Caso 3: Ele é Ela?

Back in time, um ex-atleta medalhista olímpico cogitou tirar seu pomo de adão. Seus cabelos já não eram cortados fazia algum tempo. Mais uma vez, pipocava nos tablóides a notícia de que ele estava mudando de sexo. Entretanto, o tipo era casado e com filhos, parecia apenas um boato. O que me fez descrer na veracidade da informação. O que começou como um boato ganhou, ao longo dos mais ou menos 3 ou 4 anos, dimensão mundial. Ele se divorciou e iniciou pequenas mudanças em seu estilo. A fofoca de tablóide, virou notícia em jornais respeitados mundialmente, tema em stand up comedy e assunto para programas de TV. Todavia, o fato da história ter vida é por simplesmente o atleta não desmentir e seus filhos tampouco. Em entrevistas, sempre dão respostas ambíguas de que “ele está em uma jornada”. Nunca é desmentido, apesar do forte poder que sua família tem na TV. Isso só faz acreditar que a história é real ou que ele deseja alimentar-se desse boato. Ou os dois, é algo real e que ele quer consumir essa fama e estampar os noticiários com ela.

O fato é: surgiu uma fofoca que, sua mudança de sexo seria tema para um reality de TV e o acompanharia nessa transição. O que me leva a crer que a fofoca, que virou notícia, está criando forma e pode se concretizar na TV de tanto o mundo falar nesse episódio. Semana passada foi anunciada uma entrevista exclusiva com ele no programa da Diane Sawyer, onde o slogan diz: “A entrevista: a jornada, a decisão, o futuro.”; e que vai ser uma despedida dele como Bruce Jenner.

Afinal, por que as pessoas estão tão interessadas em saber se ele será ela? Não fizeram tanto alvoroço com a troca de sexo da filha de Cher ou outra qualquer subcelebridade.

Caso 4: A Traição Que Virou Programa de TV

Kendra foi casada com Hugh Heffner e protagonizou seu reality mostrando sua vida na mansão da Playboy. Quando decidiu sair da mansão e ter vida própria, conseguiu seu contrato com a TV para seu próprio reality. Até aí tudo bem. Depois de ter sua série cancelada, descobriu-se uma traição de seu marido com uma transexual. O que levou os produtores de TV criarem uma nova série mostrando o drama do casal.

Afinal, será que a traição foi arquitetada para ganhar uma nova chance nos holofotes? Ou ela é oportunista aproveitando-se de sua desgraça para ganhar mais atenção? Uma ou outra, a produção de um programa com esse propósito só me faz descrer nos seres humanos e na intenção dos produtores de conteúdo. Aproveitar-se de uma situação vergonhosa ou desgraça para ganhar alguns milhões e continuar no spotlight é algo tenebroso. Produzir fofocas para gerar comentários e notícias é igual vergonhoso.

Entretanto, há gente que gosta de ver o pior dos outros e sempre terá uns milhões que irão se divertir ao ver uma DR de Kendra e seu marido.

Caso 5:  A Gordinha estava grávida e ganhou seu programa de TV

Um infeliz jornalista do R7, postou umas fotos da também jornalista Fernanda Gentil com o título tão infeliz quanto a “notícia”: “Realidade X Expectativa – O que acontece quando Fernanda Gentil tira a roupa”.  A jornalista estava curtindo a praia e o fotógrafo captou seu momento de lazer. O então “jornalista” apontava possíveis defeitos no corpo de Fernanda, julgando até a bunda da moça. A notícia causou comoção na net de fãs e mulheres que criticaram a atitude do site. Pouco tempo depois, questão de horas, a mesma deu uma entrevista à concorrência, o site Ego, anunciando uma gravidez. O que causou maior rebuliço, pelo trabalho meia boca do R7. Por que contar essa história infeliz e desnecessária? Porque a dona Rede Globo simplesmente aproveitou a confusão para lançar um programa sobre esse momento da gravidez apresentado pela própria Fernanda Gentil. Simples assim. Fernanda foi tão inteligente que vendeu uma super pauta para o Ego, revelando sua gravidez no lugar de rebater as críticas ao seu corpo e de quebra ganhou seu programinha de TV. Uma notícia babaca, que gerou um programa de TV. A própria apresentadora aproveitou-se de sua situação para ganhar mais um job na TV.

Agora eu posso voltar ao nosso primeiro tipo e vocês vão ligar todos os pontos. A verdade é que a socialite que eu falava, eram as duas. Porém, com um espaço de tempo de 4 anos. Depois de ver a fama da então amiga, Kim lança-se no mundo sexual. Diz a lenda que “caiu” na rede, porém tudo leva a crer que ela fez de propósito em busca da fama. Inclusive, a primeira temporada de seu programa é logo após sua chegada ao estrelato e ela colhendo os frutos, com entrevistas e participações em revistas de moda. O que sucede com ela e sua família depois desse episódio só afirma que sua momager a incentivou a fazer tal travessura para conseguir a fama como sua amiga Paris.

Dois casamentos mal-sucedidos (um televisionado e vendido por milhões para exibir na TV), um divórcio televisionado (uma temporada de um programa focado em sua crise conjugal que durou 72 dias), crises familiares e uma possível mudança de sexo… sim, o tal ex-atleta é padrasto de Kim Kardashian. Tudo leva a crer, que atualmente o que vemos na TV é uma auto-exposição impiedosa, que tem como objetivo a atenção do público e a fama. Pessoas como Kim Kardashian e Kendra aproveitam-se da ânsia do público em consumir celebridades e criam situações para manterem seus status e não perderem o pedestal. Sou uma fã de realities shows em geral, mas tenho que admitir que 100% do que eu vejo, eu duvido que sejam reais.

Bom dia, e fiquem com Bowie!

Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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