Acabei de voltar das férias e, mais uma vez, aprendi muito com a experiência de passar 20 dias imersa em outra cultura. Ou outras culturas. Afinal, foram 20 dias, 6 países, 9 cidades e umas mil lições diferentes a cada dia.

Na Itália, eu aprendi que aqui a gente come massa cozida demais. Na França, eu aprendi que estereótipos são perda de tempo (e os parisienses podem ser mais simpáticos que você). Na Hungria, eu aprendi que nem todas as regras foram feitas pra ser seguidas, mas é melhor prestar atenção quando for criar suas próprias. Enfim, foram muitos aprendizados e muitas observações.

Falando em observações, não pude deixar de observar como a galera se comporta com relação ao turista. Afinal, por mais familiarizada que eu me sentisse nas cidades que estava revisitando, ainda assim eu era turista. E fui muito bem recebida, obrigada. Em todos os lugares a que eu ia, conseguia alguém que falasse inglês tranquilamente ou que tivesse paciência pra me esperar formar uma frase inteira no idioma local. Parece óbvio, mas pensa só: na sua cidade aqui no Brasil você consegue esse tipo de atendimento? Nem no Mc Donald’s eu consigo ser atendida em inglês por aqui (e “aqui” significa Niterói, mas também pode significar Rio de Janeiro, porque eu já vi gringo fazendo mímica no Mc Donald’s de Copacabana). E eu cito Mc Donald’s única e exclusivamente por ser uma rede internacional. Mas pensa em qualquer outro estabelecimento. São raros os que tem um profissional que fale inglês.

Outra coisa que eu sinto falta por aqui (e hoje restrinjo a Niterói e Rio, porque em outras cidades desse Brasil varonil isso não acontece) é a possibilidade de encontrar souvenirs. Criativos ou não, diferenciados ou iguais a todos os outros. É difícil pra caramba achar uma lembrancinha que seja por aqui – e as poucas que tem são caras pra caramba. Toda viagem que eu faço se materializa em forma de souvenir. Seja pra minha coleção ou pra presentear alguém querido de quem eu lembrei durante a viagem, minha mala volta sempre com pelo menos um ímã de cada lugar a que eu vou. Quando tentei comprar uma besteirinha daqui pra mandar pra um amigo gringo, cadê?

Lojinha de souvenir na Basílica de São Pedro
Lojinha de souvenir na Basílica de São Pedro

E aí eu me dei conta de que a gente não sabe se vender. Em todas as cidades por que passei nas férias, encontrei lojas e mais lojas de souvenir – como era de se esperar, mas também encontrei lembrancinhas à venda em bancas de jornal, barraquinhas, “camelôs” e portinhas abertas nos lugares mais inusitados (tipo no topo da Basílica de São Pedro, no Vaticano, ou no meio de galerias de arte centenárias). Sem falar na variedade enorme de produtos: gorros, bolsas, camisas, casacos, lápis, canetas, ímãs, caixinhas, miniatura de monumentos e esculturas, bijuterias, capinhas de celular e computador, itens de papelaria, cofres, chaveiros, cartões postais, bonés, porta-moedas, etc etc etc.

Tudo isso me fez pensar que tipo de ação permanente se faz necessária numa cidade que recebe mais de 6 milhões de turistas por ano, como é o caso do Rio de Janeiro. Temos muito o que aprender com os gringos. Temos que identificar as demandas, conhecer nossa matéria prima, eleger elementos memoráveis, resignificar nossos ícones e ter orgulho deles. Temos que valorizar nossos artesãos e artistas. Temos que melhorar a sinalização e os mapas de turismo. Temos que criar apps que facilitem a visita de pessoas que nunca estiveram por aqui ou que querem conhecer mais a cidade. Temos que mostrar alguns segredos escondidos e ensinar os visitantes a preservar, como nós fazemos. Temos que ensinar alguma expressões em português a quem vem de longe, mas é bom, também, treinar nossos profissionais pra atender melhor os gringos. Tudo isso sem perder nossa identidade, nossa simpatia, nosso jeitinho brasileiro.

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Renata Coelho Soares de Mello
Produtora cultural. Fotógrafa. Metida a poetisa. Exploradora. Curiosa. Criativa. Renata é daquelas que faz tudoaomesmotempoagora. Uma de suas maiores paixões é cair no mundo. Aproveita suas viagens pra absorver outras culturas e aprender como as pessoas se relacionam com suas cidades. Formada em Produção Cultural pela UFF, atuou em diversos segmentos até descobrir que seu caminho era empreender. Hoje, pós-graduanda em Turismo na UFF (sua segunda casa), está à frente do projeto Explore Niterói e vai compartilhar um pouco das suas pesquisas sobre turismo cultural, cidades e pessoas. Prontos pra fazer as malas?

2 COMENTÁRIOS

    • Que bom que gostou, Nath! 🙂

      A ideia é realmente essa, despertar esses questionamentos pra gente começar a pensar no que pode fazer pra melhorar isso. Principalmente nós, empreendedores criativos. Até aonde a gente consegue ir pra mudar esse cenário? 😉

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