Peço mil desculpas pelo título incrivelmente clichê, mas juro que ele se justifica, porque (além de ser o nome de uma banda sensacional) nesse post em duas partes, vamos investigar algumas relações entre visão e audição pra tentar entender um pouco mais sobre  um conceito comum a esses dois sentidos: a tonalidade. Que coisa absurda, né?

Indo direto ao ponto, a ideia de tonalidade em música pode ser meio complicada de se alcançar logo de cara. Um grupo de sete notas forma um tom, certo? Mas não existem só sete notas musicais? Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si? Então como diabos elas podem originar vários tons diferentes?

Não disse? Meio complicado…

O caso é que nenhuma dessas perguntas importa de verdade porque você não quer aprender o que é tom; você quer entender. O que é muito mais importante, profundo e pessoal, e na verdade muito mais fácil também! Você provavelmente já entende, mas nunca se ligou nisso, quer apostar? Dá uma olhada:

circulo vermelho

Isso é um círculo vermelho, certo?

 

Por mais que eu odeie certezas, é difícil discordar. A não ser que você seja daltônico, como eu; o que tornaria a discussão bem mais interessante e o círculo por sua vez, verde. Porém, que tom de vermelho (ou verde) é esse? Escarlate, carmim, carmesim, bordô, coral ou o que? Difícil dizer assim sem comparar, eu sei. Então segura:

circulo vermelhocirculo escarlate

Continuo sem saber que tom é esse, mas é definitivamente mais claro, brilhante ou vivo que o segundo. Ou será que o segundo é que é mais escuro, opaco ou morto?

 

Eu não preciso saber que exato tom de vermelho é aquele pra entender o que é um tom de vermelho e distinguí-lo de outro. O que eu quero dizer é que: se entende muito melhor por comparação. É assim que eu distingo tonalidades de cores e é assim que você vai distinguir tonalidades musicais.

Agora talvez seja uma boa hora pra começar a ouvir alguma coisa:

 

Isso é Miley Cyrus, certo?

Tenho (de novo, por mais que eu odeie) certeza que você conhece essa música e já sentiu que tem algo estranho nessa versão. E eu pergunto de novo:

Mas que tom de Miley Cyrus é esse? Si, lá, sol, fá, mi ou o que? É provável que você não saiba dizer. Mas é mais provável ainda que você já esteja comparando, na sua cabeça, essa versão com a original que já ouviu mil vezes e adora; e isso só prova como seu cérebro é incrível! Então pra dar uma ajuda:

youtube
please specify correct url

 

Continua sem saber que tom era aquele? Sem problema! O importante é que você achou aquela versão mais escura que a original, ou mais clara, quem sabe? Mais brilhante? Menos? Mais pesada, mais leve, mais introspectiva, assustadora, engraçada, arrastada ou que parece cantada pelo Finn do Glee (RIP), talvez?

Você não precisa saber em que tom exatamente estão as duas versões da Keime pra distinguir uma da outra. Seu cérebro faz todo esse trabalho de decodificação por você porque ele é perito em reconhecer padrões e compará-los ao que foi vivenciado anteriormente.

Mas vamos fechar o post com o segundo round! Onde as coisas ficam mais difíceis pra você e pra mim, já que estamos juntos nessa. No primeiro exemplo comparamos dois tons de vermelho entre si e com duas versões em tons diferentes da mesmíssima música.

Fácil.

Agora o desafio é o seguinte:

 

Duas versões da mesma música com arranjos e intérpretes diferentes!

 

 

Será que você já está preparado pra dizer se estão na mesma tonalidade ou não? Pode deixar sua resposta nos comentários se quiser pra gente trocar uma ideia!

No próximo post vamos continuar nossa investigação e tentar desvendar os mistérios dos tons maiores e menores! Eita!

 

Enquanto isso eu tenho meu próprio desafio:

 

Descobrir o tom dessas maçãs.

André Colares
Me chamo André Colares e sou formado em Música e Tecnologia pelo Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro; estudei orquestração e contraponto, bem como composição para tv e cinema. Trabalhei como arte-educador em música no setor educativo do CCBB do Rio de Janeiro e atualmente moro em São Paulo, onde curso a carreira de composição musical na Omid Academia de Áudio. Trabalho como compositor de trilhas sonoras e/ou sound designer para cinema, teatro e publicidade; mas principalmente vídeo games, que são minha maior paixão desde sempre. Musicalmente gosto de tudo e estou sempre inclinado a considerar qualquer manifestação musical como algo bom e de valor. Qualquer Manifestação Musical. Então pra mim não existe esse papo de música ruim, certo? Que bom que combinamos isso! Também sou mal-humorado, daltônico, magrelo e barbudo. Nessa ordem.

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