Um texto baseado em fatos reais.

Imagine tudo isso acontecendo em inglês:

– Oi, você fala inglês?

– Oi, falo.

– Nossa, graças a Deus. Quase ninguém fala inglês aqui.

– Sério? Eu falo, minha amiga aqui também e a maioria dos meus amigos.

– Pô, não encontrei quase ninguém. Pedir comida foi quase impossível. Então, posso aproveitar que você está aqui e me tira umas dúvidas?

– Claro, “take your time”.

– Então, qual o melhor lugar para ir hoje?

– E me diz uma coisa, você é a favor da Copa?

– Aqui é completamente diferente do que falaram!

– Todo mundo me chamou de louco quando falei que vinha para cá!

– É impressionante, você pede uma informação na rua e as pessoas tentam te ajudar mesmo não falando em inglês, te levam até o lugar se for preciso.

– O povo é ótimo! Aqui é muito bom. Todo mundo muito animado.

– Quero conhecer as favelas!

– Isso que é funk? Li que o Funk veio da Favela, é verdade?

– Quero aprender Samba. Me ensina? Onde eu posso ir?

– Comi feijoada e farofa. Quero ir à Santa Teresa e na Lapa.

– I love it!!! A cidade é maravilhosa, quero voltar no Carnaval.

E assim se repetiu a cada novo turista que conheci nesses poucos dias de Copa do Mundo no Rio de Janeiro. Australianos, Iranianos, Canadenses, Americanos, Ingleses, não importava a nacionalidade, o discurso era muito parecido. Todos amando o Brasil, todos surpresos, todos querendo voltar.

Diante de tanta “previsão de caos” para o período da Copa do Mundo me dou a esperança de que estamos nos saindo muito bem cada vez que encontro com um desses “Gringos”, que não gostam de ser chamados de gringos. Reclamam “stop that!”.  “Imagina na Copa, ninguém podia imaginar que ia ser tão bom.”, proferiu um amigo meu no seu Facebook e eu tenho que concordar.

Tirando as previsões sobre os legados da Copa de lado, porque isso já foi assunto até de um artigo na Harvard Business Review. Vamos falar do que está acontecendo agora: cidades repletas de turistas, que não viriam para o país se não fosse o Mundial, conhecendo mais do que temos de melhor para oferecer: a nossa cultura.

Eles não querem conhecer o novo BRT, querem conhecer onde tem uma boa feijoada. Não estão preocupados em como chegar na Lapa de ônibus, vão de taxi, querem saber qual a melhor casa de Samba. Andam de chinelos e bermudas no nosso inverno como se fosse verão. Querem saber como funciona essa coisa de favela e riqueza lado a lado. Estão maravilhados com o nosso “jeito amigo de receber as pessoas”, de levar até a porta do lugar, de dar dicas do melhor, de parar pra conversar e fazer mímica pra tentar se entender. Cerveja, praia, festa junina, música, bares e pessoas locais. Querem as cidades como elas são, querem conhecer pessoas.

Se a Copa está dando certo é por isso, pelo brasileiro, porque somos bons em receber, em conquistar (clientes/turistas), em superar as expectativas (do nosso consumidor): esperavam o caos, demos ruas decoradas e muita festa. Criamos relacionamentos.

Diversas pesquisas provam que é muito mais fácil manter um cliente do que conquistar novos e para isso que existe o Marketing de Relacionamento, para criar relações entre a empresa e o cliente de forma a mantê-lo consumidor daquela empresa específica. Se o Brasil fosse uma empresa, a Copa do Mundo foi o mais árduo, trazer as pessoas que não viriam ao país para cá e a nossa cultura foi a nossa estratégia mais poderosa, pois conseguiu conquistar os clientes a ponto de estimular o desejo de voltar, de nos reutilizar.

Parabéns povo brasileiro. Bem feito!

Mais aqui: http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/06/apos-prever-fracasso-imprensa-internacional-muda-tom-sobre-copa-mundo-brasil/

Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

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