Passei um mês ausente por um bom motivo. Estava apreciando as belezas naturais da Nova Zelândia e conferindo as duas cidades que são listadas anualmente entre “As 10 melhores do mundo para se morar”: Sydney (7º lugar) e Melbourne (1º lugar) na Austrália.

Durante meus 25 dias de viagem conquistei: 16 horas de fuso horário, 15 mil milhas no meu programa de milhagens, coloquei os pés em mais de 15 cidades, dormi em 12 hostels diferentes, conheci umas 30 pessoas de diversas nacionalidades, fiz amigos brasileiros no mundo e mais trilhas do que na minha vida toda.

De tudo o que eu fiz, que não conseguiria ser resumido em apenas um post, gostaria de destacar 6 itens que marcaram todas as minhas experiências nesse período.

1 – Que o olhar do outro é sempre de crítica ao próprio país

É comum ver as pessoas comentando que brasileiro tem a “síndrome de coitadinho”, que achamos tudo ruim e uma merda dentro do nosso país e endeusamos os países lá de fora. “Brasil, né?!”, “Queria ver se fosse nos Estados Unidos!” dizem por aí. Somos nossos próprios depreciadores. Minha surpresa é que, em igual grau, outras pessoas também reclamam de seus países e condições sociais. Não encontrei nenhum Alemão reclamando da Alemanha, mas cruzei com um casal de Austríacos reclamando do futuro desemprego na Áustria para professores e dois Chineses com duras críticas sociais ao seu país.

Chego à conclusão que reclamar é bom, porque não é só insatisfação, é o mínimo de visão crítica da situação. E ter uma opinião é sempre melhor do que estar alheio.

2 – A cultura é o principal produto de exportação de uma nação

“De onde você é?”

“Sou do Brasil. Rio de Janeiro”

“Aaaaaaaaaaaaahhh sempre quis ir lá! Quero muito ir no Carnaval”

Ninguém me perguntou da Dilma, da economia, das empresas bem sucedidas, do Lava Jato, da alta do dólar, de contas na Suíça, das obras das Olimpíadas ou do Metrô da Barra. Carnaval, praias, o calor do ano inteiro, favela, comida e educação sempre foram os assuntos que seguiam à descoberta da minha nacionalidade. Assim como as perguntas que eu fazia eram muito mais relacionadas à cultura daquela pessoa no seu país do que qualquer outra coisa. E o óbvio, eu estava viajando para presenciar a cultura de outros países! Aí lembramos da negligência do setor pelo Estado, da falta de investimentos… Estou aguardando o dia que vão entender que o que sobra de um País falido e devastado é a cultura do seu povo, vide a Grécia Antiga.

3 – Que as barreiras culturais são mais reais do que se imagina

Uns mais sérios, outros mais alegres. Uma palavra com a entonação errada ou um simples gesto que pra você parecia tão banal e você passa outra mensagem. Alemães gostam de receber respostas diretas. Chineses não estão acostumados a abraçar o amigo, se a relação for entre homem e mulher, mal podem se tocar. Brasileiros se reconhecem de longe. Ingleses possuem um humor peculiar e uma educação extremamente polida. “Bom dia, como você está?”, “Boa noite, como foi seu dia?”.

Não é fácil compreender os detalhes de cada cultura e muitas vezes são esses que causam os pequenos desentendimentos cotidianos. O bom de estar viajando, ficar em Hostel e conversar com as pessoas é tentar entender um pouquinho mais desses detalhes e perceber que, se todos quiserem, se todos se esforçarem um pouquinho que seja pra entender o outro, é possível viver em paz. Não se pode obrigar o outro a ser igual a você, o mundo seria chato se fosse assim, mas não precisamos criar conflitos que não deveriam existir pelas nossas diferenças.

4 – Gastronomia

Uma lição cultural era a hora de cozinhar nos Hotels! A parte mais curiosa de toda a viagem, porque você se torna um espectador privilegiado, presenciando as diferenças culturais na prática e de forma muito próxima. Vi arroz ser feito de 4 formas diferentes! Sem sal e sem nada, empapado, seco e o nosso, temperado. Somos, aparentemente, os únicos que temperam o arroz para comer com alho (e cebola dependendo do seu gosto). Os alemães conseguem transpor a organização até para a hora de cozinhar! Produção em série. Nunca tinha visto uma comida ficar pronta tão rápido. Chineses amam comida apimentada. Muito apimentada. Ingleses conseguem comer o que comeríamos no almoço, na hora do café da manhã.

5 – A natureza pode ser seu maior atrativo turístico (se você parar de destruí-la)

Esqueça os grandes complexos de entretenimento, esqueça até o menor deles. A Nova Zelândia tem ela mesma e se basta. Fui nascida e criada em cidade grande, sempre gostei da agitação do dia-a-dia e sempre que viajava pra um lugar “no meio do nada”, eu acabava entediada em dois dias. As cidades que visitei na NZ eram majoritariamente de “duas ruas”, a maior cidade tinha 341 mil habitantes, a maioria tinha em torno de 2 mil, e  Franz Josef tinha apenas 364. 15 dias na NZ e o tédio foi zero, porque a beleza das cidades bastavam. Claro que tinham cidades que ofereciam muitas atividades, grande parte ao ar livre, como caminhadas, kayak, ski, trilha, passeio na geleira, bungy jump, etc, mas a melhor parte era sentar e observar a exuberância da natureza.

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A cultura da NZ gira em torno das belezas naturais e do povo Maori, sendo tudo preservado. Ou quase tudo, porque o lugar é a prova viva dos efeitos do Aquecimento Global. Confere essas fotos da geleira de Franz Josef com poucos anos de diferença entre elas. Era possível chegar na geleira andando, através de trilha, a mesma que eu fiz. Hoje em dia você só consegue chegar ao topo e tocar no “blue ice” com helicóptero, pela bagatela de 290 dólares Neozelandeses.

2008

2008

2010

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2015

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Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

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