Atualmente é uma tarefa árdua conseguir verba para produção, pauta em teatro e patrocínio para manter uma pequena temporada de uma companhia de dança no Brasil. Então, quando uma companhia completa quarenta anos de atividades ininterruptas e com uma produção vasta e extensa, é preciso uma grande comemoração!

Hoje, com 21 bailarinos no elenco, o Grupo Corpo é referência mundial. Está comemorando suas quatro décadas com uma turnê do ballets: “Suíte Branca”, com coreografia de Cassi Abranches e música de Samuel Rosa, e “ Dança Sinfônica”, com coreografia de Rodrigo Pederneiras e música de Marco Antônio Guimarães. Um programa de dois ballets em perfeita sincronia e que têm tido casa lotada em todas as récitas.

 

Um Histórico 

Em Belo Horizonte, no ano de 1975, surgia o Grupo Corpo. No ano seguinte veio o primeiro Ballet: Maria Maria. Com trilha original assinada pelo grande Milton Nascimento, roteiro de Fernando Brant e coreografia de Oscar Araiz, a obra ficou seis anos em cartaz e percorreu catorze países.

Maria Maria
Maria Maria

De 1976 a 1982 colocou mais seis coreografias em cena, assinadas por Rodrigo Pederneiras (que assume então o posto de coreógrafo-residente em 1981) e por Paulo Pederneiras, diretor artístico da companhia e responsável pela iluminação e cenários dos espetáculos.

O segundo grande marco do Grupo Corpo vem em 1985, com “Prelúdios”, uma leitura cênica com interpretação do pianista Nelson Freire para os vinte e quatro prelúdios de Chopin. O espetáculo teve sua estreia no I Festival Internacional de Dança do Rio de Janeiro, com grande reconhecimento de público e crítica, firmando seu nome no cenário brasileiro de dança.

Em 1989 estreia “Missa do Orfanato”, uma grandiosa tradução cênica para a Missa Solemnis K.139, de Mozart. O ballet torna-se um marco estético e coreográfico tão definitivo na trajetória da companhia que, ainda hoje, permanece no repertório do grupo.

 

Nazareth
Nazareth

No ano de 1993, veio “Nazareth”, quando o fascínio de Rodrigo Pederneiras por transitar entre os universos da música erudita e popular encontra a oportunidade perfeita para se concretizar. Inspirado nos contos e romances de Machado de Assis e na obra de Ernesto Nazarteh, a trilha criada pelo compositor José Miguel Wisnik permite que, a partir de uma sólida base clássica, a companhia leve para o palco uma bem-humorada combinação da brejeirice e da sensualidade contidas no gingado próprio das danças brasileiras.

 

 

A parceria com compositores contemporâneos funciona tão bem que as trilhas compostas especialmente para a companhia passam a ser uma norma, e cada trilha, o ponto de partida para a nova criação coreográfica.

Nos anos 90, a companhia intensifica sua agenda internacional e entre os anos de 1996 e 1999, atua como companhia residente da Maison de la Danse de Lyon, na França, fazendo neste período a estreia de suas obras “Bach”,  “Parabelo” e “Benguelê”.

Bach
Bach

Atualmente, com um repertório de trinta e cinco coreografias e mais de duas mil e duzentas récitas no histórico, a companhia roda o mundo apresentando sua maneira mais do que original de movimentar o corpo.

A que se deve tanto sucesso em quarenta anos?  Provavelmente a uma paixão incessante pela arte da dança, a um olhar apaixonado pelo gingado brasileiro, a uma pitada de inteligência ao misturar tradição com inovação e também o erudito com o popular… mas acho que acima de tudo: esse sucesso se deve ao trabalho em família. Não apenas a família sanguínea Pederneiras que compõe a equipe da companhia, mas também a família que foi sendo formada por todos aqueles que fizeram parte, de alguma forma, da história do grupo ao longo destas quatro décadas. Acabaram formando um só CORPO!

 

Site da companhia:  http://www.grupocorpo.com.br/

Liana Vasconcelos
Bailarina formada pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro) e pela Royal Academy of Dance, de Londres. Conta em seu currículo com diversas premiações em concursos nacionais e internacionais. Ganhou, em 2009, o prêmio de melhor bailarina no Seminário de Dança de Brasília e foi agraciada com uma bolsa de estudos para o Conservatório de Dança de Viena. Pertenceu à Cia. Jovem de Ballet do Rio de Janeiro, São Paulo Companhia de Dança e se apresenta como bailarina convidada em diversos festivais de dança no Brasil. É Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a monografia “Memória da Dança: Importância, Registro, Preservação e Legado”. Fez parte do elenco da novela “Gabriela”, da Rede Globo de televisão como bailarina/atriz. Foi contratada pela São Paulo Companhia de Dança, como Pesquisadora, para elaborar duzentos verbetes relativos à dança no Rio de Janeiro, para a enciclopédia online “Dança em Rede”, criada por esta companhia. É também colunista de dança no Blog Radar da Produção É bailarina-intérprete e produtora, junto ao diretor Thiago Saldanha e a coreógrafa Regina Miranda, do projeto “Corpo da Cidade”, uma experimentação em vídeodança que busca dialogar o corpo dançante da bailarina clássica com as transformações urbanas que a cidade do Rio de Janeiro vem sofrendo. Atualmente, é bailarina contratada do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro É apaixonada pelas artes cênicas, espectadora frequente dos teatros do Rio de Janeiro, ama viajar e vive em eterna dança.

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