Lembro-me bem da virada de século, de todas as listas e artigos acerca do que viria ocorrer nesse acontecimento. Entretanto, o que melhor me lembro mesmo, é às 2h da manhã a Rede Globo exibiu 2001: Space Odissey, de Stanley Kubrick. O ano no título só é um detalhe. A trama discuti a evolução e primitivismo do futuro (não muito distante). Quando vi o filme (no auge dos meus 13 anos), a visão estética de Kubrick me lembrava os Jetsons (alguém se lembra deles?). Tira um pouco as cores do desenho e coloque fórmulas redondas e cabelos alinhados. Branco, muito branco. O paradoxo do espaço e tempo… Agora chegamos em 2015… o ano que Marty McFly conhece seu filho em Back to The Future II.

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ATENÇÃO !!!

O post não é uma lista do que previa o longa, nem os acertos nem os erros. Não vou falar dos hoverboards (skates voadores) nem das roupas automáticas (se bem que, o formatos dos tênis muito lembram os sneakers). Se deseja saber os acertos e erros da previsão do futuro, há zilhões de sites postando suas listas. Como o Independent, ou Quartz, ou El Nuevo Dia, ou Elite Daily, ou Time, ou Comic Book, entre outros. Para os cansados dos mesmos artigos, pode ler o MIMIMI  de uma hater publicado no Jezebel. E os mais freaks, fandoms, fans, geeks, nerds entre outras denominações, podem acompanhar o countdown para o eventual 21 de outubro de 2015.

Meu foco com esse post é justamente olhar para o futuro. Pois, aparentemente, chegamos nele. O cinema, a TV, os musicvideos… a sociedade em geral, está sempre tentando prever como será ano tal. Em uma coisa sempre pensamos, na tecnologia. Seja como for. A tecnologia sempre será um ponto em que pensaremos  estar mais evoluídos. Para quem não viu Back To The Future II (shame on you!!!), Marty McFly –  no futuro –  é demitido por fax. Em 1989, fax parecia algo tecnologicamente avançado. C’mon, guys! A tecnologia pode nos surpreender com seus avanços, ou retrocessos. Imaginaste que teríamos carros voadores em 2015? Pois quase todos os filmes futuristas o incluem.

Se dermos uma pequena volta em filmes de grande êxito no cinema, podemos ver visões do futuro que confluem com a sociedade (ou não). Se viajarmos até 2263, temos The Fifth Element, de Luc Besson. Aliens, Carros voadores, Milla Jovovic com cabelo laranja. Entretanto, uma coisa muito interessante nesse filme é o caos urbano. Fast foods sendo vendidos compactados, apartamentos mais e mais pequenos, vidas que cabem em uma caixa e muito lixo urbano. Se voltamos um pouco para mais perto, em 2054, na Minority Report de Spielberg, pudemos ver como a polícia previa o crime antes mesmo de acontecer. Contudo, o que as pessoas mais lembram do filme é o touchscreen. 

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Chegando mais pertinho, em 2027, temos Children Of Men, de Alfonso Cuarón. Quem não o viu, veja. Em um futuro próximo, as pessoas estão inférteis, a trama em si não vem ao caso. Entretanto, a decadência da sociedade, o caos urbano e a violência sim. Não tem a tecnologia avançada, mas a falta de uma apropriada e pessoas vivendo em uma sociedade enferma. Por que muitos filmes mostram um futuro apocalíptico ou com uma urbanização caótica, lixo, vidas espremidas, desigualdades e violência? Tudo bem que estamos falando de ficção e precisam de conflitos para as tramas e muitos destes filmes partiram de livros. Contudo, ainda assim: por que no geral a visão que temos do futuro nunca é um jardim do éden? Por que a Terra sempre está em colapso? Por que os governos precisam tomar medidas extremas como procurar vida em outros planetas? Será que nossa evolução tecnológica está nos levando até ao fim do poço?

Temos muitos outros longas que mostram o futuro, porém, quero enfatizar mais um: Her de Spike Jonze. Que não mostra carros voando, violência, nem caos urbano. Mostra os relacionamentos. O que mais fascina em Her é a simplicidade da história e como a tecnologia intervém nas relações. Quem não viu Her, veja. Um homem que se apaixona por um sistema operacional que atualiza-se a cada momento. Até que cria suas próprias vontades, desejos e quer ter vida própria. O que encanta no filme é perceber como estamos perto de ter sistemas operacionais tão efetivos como Samantha (o nome da voz) e como as pessoas já iniciam seus relacionamentos através de máquinas.

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A tecnologia está aqui para nos aproximar e afastar. Ao mesmo tempo em que uma pessoa que está na Ásia pode enviar fotos de seu almoço através de WhatsApp a seu amigo que está  no Brasil, pessoas em um mesmo ambiente pode desconectar-se delas mesmas ao fixarem  seus olhos em suas timelines do Facebook. Além destes filmes citados, há muitos outros (veja o gráfico abaixo). Futuro aqui estamos nós. Não temos carros voadores (ainda), mas temos que ter muita atenção no coletivo e em nós mesmos. Não queremos viver em uma Terra com extrema violência e urbanamente caótica. Ainda que estejamos caminhando a isso. E você, como imagina o futuro?

Fonte: http://jovemnerd.com.br/
Fonte: http://jovemnerd.com.br/
Thais Nepomuceno
Fã efusiva do cineasta Alexander Payne, cultiva um sonho cinematográfico: um dia, John Cusack aparecer na janela de seu quarto, segurando um boombox no alto, tocando "In Your Eyes" (assim como no filme "Say Anything"). Thais Nepomuceno é produtora cultural, com especialização em cinema. Durante um ano estudou produção cinematográfica na ESTC em Lisboa, onde produziu o curta-metragem “Chronos” da diretora portuguesa Joana Peralta. Antes de sua formação no exterior, Thais já havia colaborado em sites de cinema, participado de curadorias em cineclubes e estagiado na TV Brasil. Foi quando dirigiu e produziu o curta-metragem "A View To A Kill - the Director's Cut". O filme já participou de festivais universitários e exibições em cineclubes. Esta pequena produção, com custo zero, feito a partir da colaboração de seus amigos é uma grande brincadeira com os clichês do terror adolescente; auto-definido como freshy trashy movie. Atuou na coordenação de pós-produção da TV Globo e agora está realizando seu mestrado em Formatos e Conteúdos Audiovisuais, na Universitat de Valencia (Espanha). E não fale mal do Leonardo Dicaprio perto dela.

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