O texto de hoje é um texto diferente. São poucas as chances do aniversário de 1 ano do Tag cair junto com o dia de publicação do meu texto. Para os muitos que nunca leram a biografia dos colunistas no final de cada texto ou nunca visitaram a parte institucional do site, eu sou uma das fundadoras do TagCultural junto com o Tom Fonseca e estamos constantemente pensando e desenvolvendo este espaço. Então, eu queria tomar a liberdade para falar de algumas coisas sobre essa empresa-projeto: duas curiosidades e um dos conceitos que a norteiam. Este tem sido recorrente nas últimas semanas, o que me dá cada vez mais a sensação de estar fazendo a coisa certa.

Eu acho muito legal quando estou conversando com as pessoas e elas perguntam sobre o site: “Como vai o /tég/ cultural?”. Eu não corrijo. Até hoje a maioria das pessoas não sabem que a Sephora é francesa, e logo se fala /CêfôRRÁ/, porque corrigir o /tég/? Falo com entusiasmo sobre o projeto e as dificuldades de abrir o próprio negócio, ainda mais sendo no setor cultural. Mas acho que fazendo um ano de “vida” eu já posso contar que o Tag de TagCultural, se lê /tÁg/ e não /tÉg/. Numa licença poética, ele foi abrasileirado.

Também nunca contei de onde veio esse nome e outro dia o Tom me questionou que uma hora iam me perguntar. Não perguntaram, mas eu conto: o nome veio por necessidade. Precisava-se de um nome e através de um brainstorming ela surgiu do conceito de tag cloud, aquelas nuvens com diversas hashtags em tamanhos distintos. Tradicionalmente as tag clouds são usadas para indicar visualmente quais são as palavras mais usadas em um texto ou site. Ou seja, aquilo que tem a maior frequência. Mas o que levou as tag clouds a influenciarem o nome do Tag não foi a frequência, mas seu formato, que me levou por uma viagem sóbria (eu juro) no seu desenho e o que ele representava para mim. A existência de diversos conceitos integrados, o espaço, a dinâmica, a troca, um lembrando o outro, as referências… Então pra mim, fazia sentido um TagCultural. Confesso que no início me estranhava o nome, sua sonoridade, seu pouco sexy-appeal; hoje me apaixona.

Para falar do conceito que norteia a empresa – qualidade de vida –, tenho que contar um pouco da minha personalidade rebelde, ideologias que acredito e das minhas experiências profissionais.

Eu entendo que existem profissões que precisam seguir o modelo proposto no Fordismo e o famoso 9/5 – 9 horas de trabalho por dia, 5 dias por semana–, mas eu aposto dizer que 50% das profissões (pelas minhas próprias estimativas imaginárias) não precisam seguir esse modelo e que o mesmo não é o melhor para o colaborador.

As profissões criativas, que exigem mais o pensar do que as atividades manuais “automáticas”, não são vantajosas nesse modelo engessado. O ser humano não é biologicamente programado para ser criativamente produtivo 9/5.

Se pensarmos em um profissional em um departamento de marketing, ele irá passar os 30 minutos iniciais se preparando para trabalhar: café, banheiro, ligar o computador, dando o bom dia coletivo. Depois 30 minutos sentado em seu computador se organizando para trabalhar: checando e-mails prioritários, o Facebook, o e-mail pessoal e as notícias da manhã no G1. Aí sim, trabalho por umas 2h das 4h matinais. Idas ao banheiro, conversas, distrações e almoço. Digamos que no período da tarde o sono não bateu e as 15h30 ele terminou todas as tarefas do dia. Ele só sai às 18h. O cidadão tem 2h30 minutos de pura enrolação no trabalho.

Ele podia voltar para casa mais cedo e não pegar trânsito, mas ele não pode. Ele podia aproveitar o tempo que saiu cedo e buscar a filha na escola, mas ele não pode. Ele podia passar no mercado e fazer as compras, mas ele não pode. Ele podia chegar cedo no jantar de aniversário da irmã, mas ele não pode. Ele podia ir na despedida do amigo que está indo morar em Londres, mas ele não pode. Ele podia ler um livro ou ir no cinema, mas ele não pode. Não pode. Porque não pode? Porque contratualmente ele precisa passar as malditas 2 horas e 30 minutos sentado numa cadeira, esperando nada de urgente acontecer e fingindo que não está no Facebook ou no 9gag.

Depois o funcionário fica frustrado, achando que sua vida perdeu o sentido e que aquele emprego não lhe satisfaz e ninguém sabe por quê. Ou sabe?

A sensação de “perda de tempo” pra mim é excruciante. E o trânsito, ah! O trânsito. Quem foi o amor de pessoa que inventou que todos devem chegar e sair do trabalho no mesmo horário?

Também tem outra questão: qualidade de vida. Precisamos de lazer, precisamos de descanso, precisamos estar bem para produzir mais. Se para um funcionário ficar bem, ele precisa levar a filha na escola todos os dias de manhã para ter mais contato com a família e por isso chegar 1 hora mais tarde. Que leve! Ou se ele precisa acordar e fazer exercício. Que faça! Ou se ele quer muito assistir o jogo na Copa. Que assista! Gente feliz é mais produtiva. A pessoa não faz o que ela tem vontade e fica pensando naquilo. Frustrada, infeliz.

Outra coisa que as empresas fazem tão errado que chega a dar calafrios: barganhar para conseguir autorização para ir ao médico. Queridos, se seu funcionário quer se cuidar, precisa fazer 50 check ups. Deixe-o! Não barganhe horários, não cobre que fique até mais tarde. Funcionário saudável é mais feliz! Os custos são bem mais caros se ele ficar doente.

Não quero nem entrar no mérito das férias e das viagens. Como coibir algo que inspira e traz novas ideias? Tive grandes insights e novas formas de olhar o mundo por conta da quantidade de carimbos no meu passaporte. Pesquisem sobre a Austrália, é o que digo.

E por ter uma opinião tão forte sobre todos esses assuntos e o Google não ter aberto vaga de Produção Cultural é que eu decidi que queria ter uma empresa que prezasse pela qualidade de vida, minha e dos funcionários. E assim Tom também queria.

Semana passada eu estava em Roma, trabalhando para o site do quarto do hotel, enquanto o Tom estava andando pelas ruas de Botafogo. Nossa estagiária de Design Gráfico, faz Home Office. É nossa primeira experiência de um método de trabalho baseado em metas semanais e não em horas semanais, que respeita seus horários da faculdade e seus interesses. Estamos construindo algo novo.

Para encerrar esse longo texto, quero agradecer a você que o está lendo (você vem sempre aqui? Rs.) e repetir o que disse ao nosso time de colunistas hoje: “estamos crescendo e vamos crescer mais ainda. Esperamos ter vocês conosco lá na frente, porque este é apenas o primeiro ano de muitos.”

Clique e veja nossa história de pertinho!

Timeline Historia TagCultural

 

Juliana Turano
Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Idealizadora e gestora do site TagCultural e projetos derivados, trabalhou como produtora de importantes empresas como Grupo Editorial Record, Espaço Cultural Escola Sesc e Rock in Rio, nas edições de Lisboa 2012 e Brasil 2013. Megalomaníaca, criativa, entusiasta da música e do ballet clássico, não perde um espetáculo de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ou um festival de música legal. Adora viajar e aproveita suas viagens para assistir espetáculos de importantes companhias como do Royal Opera House e New York City Ballet. Também aproveita para comparar o desenvolvimento cultural de outros países com o do Brasil e sonha que seu país se desenvolva mais nesse campo.

3 COMENTÁRIOS

  1. […] Uma empresa querer despertar a paixão de seus consumidores pela marca, torná-los brand advocates, não é nenhuma novidade, mas e os funcionários? Seus funcionários possuem paixão pela empresa, pelo local que trabalham ou estão ali pelo dinheiro? Já entrei em empresa por paixão e sai por decepção. Sua empresa faz alguma coisa por esses funcionários para que eles tenham mais do que vontade de trabalhar ali, mas orgulho? Uma pessoa passa 1/3 do dia trabalhando, ele no mínimo, precisa gostar de onde está. Porque não ajudar? Já disse, gente feliz é mais produtiva. […]

  2. Coisa mais linda esse texto. Coisa mais linda esse projeto e esse processo. Coisa mais linda fazer parte disso tudo.
    O Tag trilha um caminho incrível de realização profissional plena e eu falo isso por experiência própria, porque só eu sei a sensação que me deu quando terminei de escrever meu primeiro texto ou quando o vi publicado ou ainda quando ele apareceu ali do lado na listinha e mais lidos e mais ainda quando foi referência pra outro site. Só eu sei o quanto é enriquecedor e gratificante e realizador – e sei lá mais que palavra usar pra isso – dizer que hoje eu sou colunista do Tag, porque desde que eu aprendi a escrever era com isso que eu queria trabalhar pra sempre. E finalmente eu me encontrei e ganhei o meu espaço.
    Tudo isso porque um dia, Juliana, você resolveu ouvir os seus instintos e deixar o seu sonho falar mais alto. E é esse o caminho.
    E nesse caminho você vai (e nós vamos, junto) chegar muito mais longe.
    Feliz aniversário e vida longa ao TagCultural \o/

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